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Universidade da Beira Interior Mestrado em Jornalismo: Imprensa Rádio e Televisão


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Universidade da Beira Interior


Mestrado em Jornalismo: Imprensa Rádio e Televisão

O papel e a Influência dos meios de comunicação na sociedade
A televisão como o instrumento mais poderoso

Orientador:

António José Ferreira Bento
Lília Gomes Carvalho – Nº M1459

Covilhã, Julho de 2008



«…todos os dias quando acordo e me olho ao espelho

pergunto a mim próprio: em que mentira vou acreditar

hoje?...»

Gore Vidal

Índice
Resumo / Abstract……………………………………………………… 5
Introdução……………………………………………………….……….6
Capítulo I

- Comunicação…………………………………………………...……….8

- Informação……………………………………………………………...12

- Jornalismo………………………………………………………………14

- Jornalista………………………………………………………………..15

- Notícia…………………………….…………………………………….18


Capítulo II

- Construção Social da Realidade………………………..………….……23

- Realidades Múltiplas e Ideologia……….…………………..…………..26

- Discurso jornalístico e Layout……………………………………..……27


Capítulo III

Teorias dos Efeitos………………………………………..........................28

- Teoria Mecanicista E – R..………………….…………………………...30

- Fórmula de Lasswell……………………………………………………..32

- Two-step flow of Communication…………………….............................36

- Multistep flow…………………………………………............................37

- Estudos de Persuasão…………………………………….........................38

- Crítica Marxista……………………………………………………….....40

- Escola de Frankfurt……………………………………..……………......43

- Cultural Studies…………………………………………………………..45

- Da Crítica marxista ao método experimental………….............................47

- Escola Canadiana…………………………………………………………48

- Efeitos a Prazo…………………………………………............................50

- Gatekeeper………………………………………………..........................54

- Newsmaking……………………………………………………...…….…55
Capítulo IV

- A televisão e os seus efeitos…………………………….………………57


Capítulo V

- Manipulação das Palavras……………………………………………….77

- O poder da imagem...……………………………………………………81
Capítulo VI

Estudos de Caso

- Martunis….……………………………………………………………...83

- Madeleine McCann……………………………………………………...85


Conclusão…………………………………………………………………92
Bibliografia……………………………………………………………….96

Resumo
Este trabalho analisa o papel desempenhado pelos mass media e os seus efeitos na sociedade.

É dada ênfase especial à televisão, a arma mais poderosa capaz de atrair grandes audiências e de produzir o maior impacto.

Este trabalho baseia-se em fundamentos teóricos. Contudo os casos de Martunis e de Madeleine McCann são aqui apresentados como prova da manipulação de informação e dos seus efeitos numa sociedade que se auto apelida de sociedade democrática.


Palavras-chave: Comunicação, jornalismo, influência, teorias dos efeitos, televisão

Abstract
The present work makes an analysis of the role played by the mass media and their effects on society.

Special emphasis is given however to television, the most powerful weapon, capable of attracting large audiences and producing the strongest impact.

This work is based on theoretical grounds. However the cases of Martunis and Madeleine Mccaan are presented here as a proof of manipulation of information and its effects on a society which calls itself a democratic society.



Key words: Communication, journalism, influence, effects theory, television

Introdução


O jornalismo tem nos dias que correm uma enorme importância. É fundamental para que sociedade funcione e para que seja possível ter consciência do mundo, das imensas coisas que nele existem, de nós mesmos e da sociedade em que vivemos.

Mas será que os media nos transmitem a realidade, a verdadeira realidade? Ou será uma realidade construída? Quando o jornalista distingue o que tem valor notícia do que não tem, quando destaca determinado acontecimento em detrimento de outro, nos momentos de escrever e montar a notícia, ele influencia o público. Tudo é apresentado sob uma perspectiva, por muito imparcial e neutro que se tente ser.

Os media intervêm nas vidas de todas as pessoas e, grande parte das vezes, sem que estas se apercebam. Dizem-nos sobre o que pensar, quando pensar e até como pensar. Será que tudo isto acontece de forma ingénua? Ora, o jornalismo intervém nas relações interpessoais, desencadeia acontecimentos que afectarão a sociedade de uma ou outra forma. Pode admitir-se que por vezes esta influência sobre a sociedade acontece mesmo quando o jornalista não o pretende. Mas é essencial ter consciência de que os jornalistas sabem perfeitamente o poder que detêm e cabe-lhes decidir como o usar. Importante é também saber que nem sempre o profissional dos media quer levar o leitor, ouvinte ou telespectador a pensar desta ou daquela maneira, mas fá-lo mesmo assim, ainda que inconscientemente.

Os media são capazes de influenciar a nossa percepção do mundo, as nossas relações sociais. Com eles se edifica e cimenta a nossa realidade social e por vezes somos mesmo vítimas das suas construções da realidade. A sociedade é vulnerável aos media.

Assim, pode concluir-se que as notícias produzidas e divulgadas todos os dias nos jornais, rádios e televisões influenciam o nosso dia-a-dia. E se há dúvidas de que uma notícia não seja exactamente como é descrita pelo jornalista no jornal ou rádio, essas dúvidas são muito mais tímidas quando se fala em notícias televisivas. Isto porque há muito que nos habituamos a desconfiar das palavras, mas ainda não aprendemos a fazê-lo em relação às imagens, sobretudo no que concerne as notícias televisivas, pois ali vê-se a notícia acontecer.

«As notícias são socialmente relevantes, especialmente nas sociedades democráticas, onde o acesso à informação, mais do que um direito, ode ser entendido como uma necessidade que emana dos próprios fundamentos do sistema. Mais ainda: as notícias são referentes sobre a realidade social que participam nessa mesma realidade social e que contribuem para a construção de imagens dessa realidade social. Ora se as notícias são socialmente relevantes, o jornalismo não o poderia deixar de ser, pois, em certa medida, a actividade jornalística contribui, por exemplo, para a existência pública de grande parte das notícias, para a construção de significações (…)»1.

A forma como os profissionais dos media utilizam as palavras quando questionam o seu entrevistado, quando escrevem a notícia e as imagens que se usam na edição vai influenciar o público.

A televisão é o principal objecto da pesquisa efectuada para o presente relatório de estágio pois com a televisão é possível atingir toda a gente. Nem toda a gente lê o jornal ou ouve rádio, mas rara é a pessoa que não vê televisão, o que a torna num instrumento poderoso. É difícil desconfiar dela pois ela mostra-nos as situações a acontecer.

Aqui se pretende entender de que formas podem os meios, sobretudo a televisão, condicionar as nossas vidas e a nossa relação com os outros?

Conceitos como comunicação, jornalismo, notícias e jornalistas são conceitos aqui amplamente utilizados, pelo que há a necessidade de defini-los. Desenvolvidas serão também as teorias dos efeitos dos media.

Finalmente pretendo demonstrar o papel que desempenharam na construção de uma “história”, melhor, uma “realidade” quando Martunis apareceu a 16 de Janeiro, após o tsunami de 26 de Dezembro de 2004, e apresentar a minha análise do «caso Maddie» e as mudanças de opinião dos espectadores à medida que iam surgindo novas notícias.

Capítulo I


Comunicação
«A imprensa é uma grande potência, mas como uma torrente em fúria

submerge a planície e devasta as colheitas, da mesma forma

uma pena sem controlo serve para destruir. Se o controlo vem

do exterior, o efeito é ainda mais nocivo do que a falta de controlo;

só pode ser aproveitável se for exercido interiormente.»
Mohandas Gandhi, in 'Memórias'

Havia, no início, quando se começou a falar no termo, muita dificuldade em definir comunicação. Exemplo disso foi Kenneth Burke querer publicar, em 1935, um livro cujo título seria Tratado sobre Comunicação e não lhe ser permitido. Era uma obra sobre comunicação mas o editor proibiu tal título por temer que os leitores pensassem que era sobre linhas de telefone.

Charles Cooley, um dos pioneiros no estudo desta área, concluiu que é através da comunicação que «existem e se desenvolvem as relações humanas»2, sendo que há interacção porque há comunicação. Sem ela nada existe.

O nosso dia-a-dia está repleto de comunicação. «A própria ausência de comunicação é comunicação»3. No que toca às relações interpessoais, por exemplo, o silêncio é um importante e poderoso veículo de informação. Assim é possível afirmar sem quaisquer dúvidas que tudo é comunicação porque tudo requer o transporte de pensamentos, de informação. «O sangue transporta oxigénio para as células, e, ao fazê-lo, está a comunicar.»4

Pode dizer-se que a palavra comunicação vem do latim comunication, dando nome ao processo de compartilhar o mesmo objecto de consciência. Mas comunicação pode também derivar do latim comunis ou communicare que significa por em comum. Por em comum uma ideia, um pensamento, um assunto, uma qualquer informação, através da compreensão.5 Em suma, conviver. O objectivo capital é, portanto, possibilitar o entendimento entre os homens e para que tal seja possível é crucial que se compreendam reciprocamente, ou seja, que comuniquem.

Apesar de a comunicação aparecer, a princípio, associada ao transporte de objectos, ao longo do tempo a sua definição foi evoluindo e é já entendida, acima de tudo, como o transporte de ideias e emoções expostas através de um código.

A comunicação humana tem inúmeras formas e é ela que nos permite transmitir ideias, imagens, e nos permite recebê-las. É apenas com a comunicação, em todas as suas formas, que é possível ao ser humano exteriorizar os seus pensamentos e, consequentemente, só assim é possível compreender os pensamentos dos outros.

Podemos dividir a comunicação humana em dois tipos: 35% representam as comunicações interpessoais e 65% representam as formas de comunicação não verbais, como os gestos, olhares, atitudes, formas de estar, de vestir, etc. Logo, não podemos falar apenas da comunicação verbal, pois a comunicação não verbal é igualmente importante e através dela dizemos muito uns aos outros.

Tomemos então o exemplo do próprio silêncio. Quando estou na companhia de alguém e se estou em silêncio não significa que não estou a transmitir informação ao outro. Mesmo em silêncio eu comunico, através do olhar, dos gestos e da postura do meu corpo. Assim, comunicação não verbal pode ser um reforço da comunicação verbal, podendo mesmo substituí-la.

As expressões do rosto, os gestos, a postura, a aparência e o olhar são as principais formas de comunicação não verbal.

Através do rosto revelamos sentimentos, atitudes e fortalecemos as palavras. Ele revela as nossas emoções. Se estamos tristes, felizes, nervosos, pensativos ou zangados o nosso rosto reflecte-o. No entanto quando conhecemos o poder comunicativo do nosso rosto tendemos a tentar controlar aquilo que por ele exprimimos. «Olhar o rosto de uma pessoa, é olhar para o indivíduo que se esconde por detrás da sua persona (máscara)»6.

Falemos agora do olhar, esse que tanta importância detém, esse que é, diz-se, o espelho da alma. É com o olhar que deixamos transparecer o nosso estado de espírito, as nossas emoções e os nossos sentimentos. É aqui que os estados de alma são mais intensos. «O olhar humano pode ser intenso, turvo, calculista, contemplativo, atento, distraído, perscrutador…Os olhos podem hipnotizar, atrair, seduzir, desafiar, fulminar…matar. A metáfora do olhar assassino ilustra bem a potência do olhar»7. O olhar tem tanto ou mais poder do que a mais poderosa das palavras. Um olhar pode ofender, pode trazer conforto, pode mostrar amor ou ódio, e tantos outros sentimentos.

O ser humano fala também através dos gestos e movimentos corporais. Os gestos, sobretudo os das mãos e dos braços, podem substituir a linguagem verbal e ser tão complexos como esta. A linguagem dos surdos-mudos é exemplo disso. O modo como posicionamos o nosso corpo revela igualmente características da nossa personalidade aos outros. E o nosso aspecto exterior influencia a forma como as pessoas nos vêem.

É com a comunicação verbal e com a comunicação não verbal que comunicamos e é através delas que nos influenciamos uns aos outros. Tudo o que há à nossa volta é comunicação e não estamos um segundo sequer fora deste mar imenso.

Em suma, a comunicação surge para o homem como uma extensão dos seus sentidos, uma forma de ir mais além do que o seu físico permite. «Comunicar é sobretudo significar, através de qualquer meio.»8

Pode dizer-se, sem hesitações, que a comunicação é respeitante a todas as acções do Homem e a todas as áreas.

No que se refere aos meios de comunicação de massas, desde o seu início que se foram tornando, a pouco e pouco, indispensáveis. Entranharam-se nas nossas vidas e já não podemos viver sem eles.
Um pouco acerca do surgimento dos meios de comunicação…

No ano 100 a.C. em Roma existia a “Acta Diurna”. Tratava-se de publicações sobre actos do dia sobre casamentos, o fórum, sobre adultérios e mesmo jogos. Um pouco como sucede actualmente. Nos primeiros anos do império Romano, nas vésperas dos Jogos Olímpicos, surgiram os jornais mais semelhantes aos que hoje em dia conhecemos. Inclusive já com alguns anúncios.

No século IV, na China já existia tipografia com caracteres móveis e em 1456 Gutenberg inventa os primeiros caracteres com o objectivo de imprimir a Bíblia. Dois séculos depois, em 1631, aparecem em França os primeiros modelos dos jornais modernos, como o La Gazzete por Renaudot. Com formato tablóide, este jornal era um semanário de oito páginas e com suplementos mensais. Vendia cerca de 1200 exemplares. Notícias impressas e publicadas com uma periodicidade regular.

No século XIX, nasce a verdadeira imprensa de massas em muito impulsionada pelas máquinas a vapor que tornavam possível a chegada dos jornais a toda a gente. É a partir daqui que o jornal começa realmente a sua difusão de informação. Surgem então os primeiros grandes jornais como o La Presse, por Emil de Girandi, o Times na Inglaterra e bem como outros grandes jornais americanos. Pode dizer-se que a imprensa de massas surge da convergência do aperfeiçoamento de técnicas de impressão, facto que permite um maior número de tiragens, do aumento do poder de compra da população bem como da alfabetização desta.

No mesmo século, entre 1880 e 1920 surge a “Época de Ouro” dos diários. De tal forma que o director do New York Sun, dos EUA, deixou de vender os jornais a seis cêntimos para passar a vendê-los a um cêntimo. E aparece assim a “penny press”, imprensa a um cêntimo.

Os jornais começam a especializar-se em «fait divers», o hoje chamado sensacionalismo. Os diários multiplicam-se. As tecnologias possibilitam a tiragem de milhares de exemplares e nasce a pirâmide invertida que se tornou na marca do jornalismo moderno.

O ano de 1930 fica marcado pela chegada da rádio. Este aparecimento não complica, no entanto, a vida da imprensa escrita pois as notícias eram lidas dos jornais.

Algum tempo depois começa a investir-se nas fotografias e surgem as revistas Look, Life, Paris-Match, Marie Claire entre outras, com pouco texto e muitas fotografias.

Com o aparecimento da televisão (da qual se falará um pouco mais adiante), nos anos 50, revistas e jornais sentem a necessidade de se renovar.

Uma década depois aparecem as newsmagazine como resposta à televisão. Aqui há fotografias conjugadas com documentários e reportagens. Exemplos destas revistas são a TIME, a Visão, a Sábado, a Focus, a L’express, a Le point, entre muitas outras.

O aparecimento de novos meios jornalísticos mudou todas as sociedades do mundo. Foi através deles que tomaram conhecimento umas das outras e foi também com eles que começaram a compreender-se ou, pelo menos, a tentar.

Informação


O conceito de informação como hoje em dia o conhecemos, diz-nos que todas as mensagens jornalisticamente produzidas informam.

A informação, onde se narram factos de terceiros, opõe-se à noção de opinião, pois esta última caracteriza-se pelos juízos de valor do autor. Esta oposição deve ser bem nítida, «a distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público»9.

A informação jornalística não é totalmente neutra, pois a selecção, a observação, a interpretação dos acontecimentos nunca pode ser completamente imparcial. Mas na opinião, os juízos de valor estão explícitos, ao passo que na notícia se trata de algo mais leve, é a opinião implícita do jornalista, algo que, por mais que este se esforce pela imparcialidade e objectividade, não conseguirá anular.10

Durante vários séculos a população viveu na ânsia de se exprimir livremente, mas era sufocada por poderes dominantes de vários tipos. Com o passar do tempo à medida que o desejo pela liberdade de expressão a crescia, surge a imprensa e mais tarde o cinema, a rádio e depois a televisão. Subitamente foi como se o mundo aumentasse e de repente sabia-se de coisas nas quais nunca se tinha pensado ou até imaginado que existissem. Mas mesmo assim, havia ainda tanta coisa para saber e descobrir. E ao mesmo tempo o mundo parece mais pequeno, pois estes meios de comunicação aproximam-nos da mais longínqua das terras.

A imprensa, a rádio, a televisão e o cinema tornaram-se nos «órgãos principais das relações sociais e por isso mesmo representam os instrumentos mais poderosos da necessidade que todos temos de nos exprimir e que constitui um dos direitos fundamentais do homem. (…) De um acto espontâneo primitivo, a informação passou a ser um acto voluntário e transformou-se numa instituição social»11.

E é como instituição social que os media têm a essencial função de regulação social. Têm o papel de manter a coesão social e de regular situações de crise. Transmitem valores culturais, criam entretenimento, oferecem espaços de debate, difundem informação, contribuem para a formação de opiniões, vigiam o meio ambiente, e colaboram para a abertura de fluxos comerciais12. Ter acesso aos media é fundamental para ter percepção do mundo, do país e da comunidade onde se vive. Sem todas as informações que nos chegam no quotidiano estaríamos isolados da nossa própria tribo.

Mas hoje em dia não falamos só em notícias quando nos referimos ao direito de informar e ser informado. A formação de cada cidadão, o conhecimento, as explicações e interpretações a que tem direito merecem também especial atenção. O direito à informação procura também defender a livre publicação das opiniões, das discussões e pontos de vista. Seria uma catástrofe se de repente não pudéssemos dizer o que pensamos de facto aos outros e se estes não pudessem dizer-nos, com verdade, as suas convicções. Viveríamos num mundo de mentiras, de falsidade, de cinismo e de hipocrisia.

O termo informação tentou ao longo do seu tempo de existência designar a liberdade e actividades sociais fundamentais além de se referir às técnicas de difusão apenas. Muito embora vejamos este conceito maioritariamente para designar a difusão dos factos, pondo de parte as opiniões. Já nos dias que correm informação diz respeito a várias coisas: as notícias e os meios que as difundem, os media. «Ela designa tanto as empresas de difusão como a exigência social de informar e de estar informado. Facto fundamental de transformação colectiva.»13

Jornalismo
Podemos definir jornalismo como o acto de recolher, tratar e difundir informação através dos meios de comunicação social. Mas em todo o mundo há várias definições de jornalismo, estas dependem do contexto social, cultural e ideológico. A imprensa não é igual em toda a parte pelo que podemos falar não apenas em jornalismo mas em jornalismos.

A imprensa livre, independente do estado e dos poderes, que inclusive os comenta e critica sem repressão, é a base do modelo ocidental de jornalismo dos países desenvolvidos. A única limitação para os jornalistas seria, em teoria, a ética e a deontologia, em suma a lei justa. Ainda que na prática nem sempre assim seja, quer no que respeita a total independência face ao poder quer no que se refere à lei justa.

O que acontece na realidade é que para os jornalistas há limitações impostas pelos poderes políticos, económicos bem como pela entidade patronal. Há filtros que destacam as notícias acerca das quais se vai falar e há também a auto-censura ter em conta.

O jornalismo é, antes de mais, um fenómeno de comunicação de massas com mensagens muito específicas, onde diferença entre a notícia e o comentário tem que ser muito clara para que leitores, ouvintes ou telespectadores não tenham dúvida, em tempo algum, acerca do que têm diante dos olhos e/ou ouvidos.

O seu fim fundamental é difundir os factos que são considerados socialmente importantes e a exposição de opiniões que sejam do interesse do público. O jornalismo pretende também responder a três questões essenciais: o que há de novo?, o que há de importante? e o que há de interessante?.

Além de recolher informação, analisar e interpretar factos reais, os meios de comunicação social têm inúmeras funções no seio da sociedade. São actores sociais, intermediários, mediadores e narradores. Exercem a função de pacificador uma vez que actuam em situações de conflito para reduzir a intensidade destas através do seu poder de apoiar negociações. Pode falar-se, então, de uma teoria de compreensão entre os povos.

Os media têm também o papel de transmitir e investigar os factos além das partes interessadas, de modo a dar uma imagem mais completa e autêntica da realidade social. Opinam através de artigos de opinião, cartas dos leitores e até mesmo cartoons.

Os meios jornalísticos são membros do sistema político, transmitindo os factos políticos. Eles são os cães de guarda do poder. É importante não esquecer que eles são para muita gente a única forma de participar na vida política.

Vigiar o ambiente social é outra das suas funções, bem como o papel de inter-relação dos grupos existentes na sociedade em que actuam.

A comunicação social exerce ainda funções de sociabilidade, ao favorecer a inserção do indivíduo no grupo; de passatempo, quando é usado como distracção; e de catarse, ou seja, funciona como função psico-terapêutica onde o espectador/ouvinte/leitor projecta o que pode não fazer por si, ajudando, deste modo, na libertação do conflito não resolvido.

Há quem considere que meios de comunicação desviam as pessoas daquilo com que se deveriam preocupar, provocando um desligamento da vida social e tornando-se uma espécie de narcótico social através da sua função de evasão.

E finalmente, exercem a função de transmutação do real em espectáculo assumindo um papel outrora do sagrado.

As funções que acabei de enunciar vêm confirmar, uma vez mais, que os meios de comunicação exercem influência da vida da sociedade, actuando nos diferentes casos.

Os meios de comunicação não são a nossa única fonte de informação mas são, no entanto, a mais importante. Se nos debruçarmos sobre esta questão, rápido nos apercebemos que se não fossem os meios de comunicação não teríamos conhecimento de inúmeros acontecimentos e não teríamos outra maneira de estar a par do mundo.


jornalista

Há muito que se fala na responsabilidade civil que devem ter os profissionais dos media e este ideal não é apenas dos nossos tempos. No século XVIII, aquando a Revolução Francesa em 1789, afirmava-se que o jornalismo deveria vigiar o Estado. Aqui o povo é soberano e o seu poder vem de Deus, desde então este tem vindo a ser o ideal do Jornalismo.

Em 1942 é criada pela Comissão pela Liberdade de Imprensa, nos EUA, a Responsabilidade Social da Imprensa. Propôs-se uma agenda para a imprensa que estabelecesse um sistema de jornalismo ético que torna os jornalistas responsáveis pelo seu público.

Também em 2003, Bill Kovach e Tom Rosenstil reafirmam que o mais importante no jornalismo é o seu compromisso com a verdade, «pois o público necessita de informação ética, democrática e verdadeira para a sua própria independência»14.

Contudo, é importante referir que este ideal é um tanto utópico uma vez que nem sempre se concretiza. Uma das razões para tal acontecer é o facto de os veículos de comunicação se terem transformado em empresas jornalísticas que buscam lucro, tornando-se, no fundo, num campo de negociação.

Os profissionais dos media são os protagonistas do jornalismo, recolhendo, tratando e transmitindo informação. Eles interpretam a realidade e posteriormente distribuem pela sociedade as várias informações. O jornalista deve dizer sempre a verdade e esta, claro, depende da realidade.

No entanto, nem sempre as empresas jornalísticas se importam em transmitir da forma mais isenta possível a realidade, antes se preocupam com formas de tornar os vários assuntos o mais rentáveis possível. Assim, pode dizer-se que o jornalista não é totalmente livre para escrever e publicar o que bem entende. Deve obedecer ao estilo do jornal que o emprega, logo, é em conformidade com a empresa a que pertence que irá seleccionar o que será notícia, distinguindo aquilo que é daquilo que não é. Ora, é o jornalista que selecciona o que é notícia e escolhe também a forma de ligar os factos, decide as fotografias, ou imagens no caso da televisão, que vão ilustrar a notícia. E é por tudo isto que se pode afirmar que o jornalista influencia o seu público.

Dizer que a comunicação influência a vida dos indivíduos, da sociedade, não é novidade. Contudo é deveras indispensável falar do conceito de influência e foi Talcot Parsons quem o definiu com maior precisão. Para ele, «os media realizam uma função integradora (incluem as diversas subcolectividades num sistema social complexo e isso consegue-se por meio do mecanismo de influência)»15. A influência é, então, «um meio simbólico generalizado de interacção social que circula entre as unidades sociais no contexto de persuasão (…) a influência dirige-se para persuadir os porta-vozes de interesses particulares».

Influenciar, persuadir, é, portanto, convencer os indivíduos a actuar de uma determinada forma. Esta acção pode traduzir-se numa acção voluntária ou involuntária de quem emite a mensagem, uma vez que a intenção nem sempre é a se persuadir.

O Código Deontológico do Jornalista, aprovado pela Assembleia Geral do Sindicado dos Jornalistas a 4 de Maio de 1993, diz que «o jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade»16. Também no Estatuto do Jornalista está contemplado este dever do jornalista de «exercer a actividade com respeito pela ética profissional, informando com rigor e exactidão»17.

É ainda muitas vezes referida a procura, ou a obrigação, pela objectividade quando se fala dos profissionais dos media, mas isto é apenas o ideal do que se pretende, do que se gostaria, e não a realidade. A objectividade que se almeja não é de todo atingível, e se existir está algures quando se dá informação científica, pois é aqui que a mesma experiência feita várias vezes dá sempre o mesmo resultado. Mas no que respeita a acontecimentos isto não sucede, pois se tivermos quatro jornalistas para cobrir o acontecimento X, é muito provável que venhamos a ter quatro notícias distintas. A objectividade exige um distanciamento entre o jornalista e o acontecimento, fazendo-o ouvir todas as partes e deixando que o público tire as suas conclusões. Mas tal não é de todo possível, uma vez que ao seleccionar o que é notícia, ao hierarquizar a informação, ao valorizar um aspecto em detrimento de outro, implica que o jornalista faça os seus juízos de valor. Ora, se eu, enquanto jornalista, decidir chamar a atenção do leitor a um ponto específico do acontecimento, estou a fazê-lo pois eu acho que é importante.

Não significa isto que o jornalista dê a sua opinião, mas sim que há subjectividades que não são passíveis de serem anuladas e que se devem assumir com honestidade. «A objectividade, afirmava um antigo director do Le Monde, pode reduzir-se apenas ao encontro de duas subjectividades: a de quem escreve com a de quem lê18

Hoje, o papel do jornalista é um pouco dúbio. O profissional dos media é simultaneamente «funcionário da humanidade e funcionário da indústria»19.


Notícia
A notícia é um género básico do jornalismo. Trata-se de um texto relativamente curto, grande parte das vezes com imagem, que relata um acontecimento respondendo às perguntas quem, onde, quando, o quê, como e porquê. Sendo que por acontecimento se entende tudo o que se realça da «superfície lisa da história», os media além de descreverem um determinado acontecimento, «produzem ao mesmo tempo o relato do acontecimento como um novo acontecimento que vem integrar o mundo».20

A notícia é um bem de primeira necessidade uma vez que nos informa sobre a nossa cidade, o nosso país, o nosso mundo. É construída na medida em que os acontecimentos são apenas a matéria-prima que o jornalista vai utilizar para chegar ao produto final: a notícia. O ser ou não notícia depende do contexto político, social, cultural, comercial em que o jornalista e o seu público se encontram. O acontecimento, uma informação e o público são os três elementos essenciais para uma notícia.

Pode ainda afirmar-se que é dos factos da actualidade que a actividade jornalística parte, exigindo assim a conjugação de três importantes factores: ser recente, ser imediato e que circule21. O primeiro factor, ser recente, diz respeito ao acontecimento em si mas também à sua descoberta, o que significa que mesmo um acontecimento que tenha tido lugar há, por exemplo, dez anos e se for descoberto hoje pode também ser notícia. Em suma, é neste campo que o acontecimento se torna notícia. O imediato diz-nos que as notícias são imediatas mediante o intervalo de tempo entre a sua ocorrência e o momento em que foi divulgada. Para se escrever uma notícia deve obedecer-se à famosa pirâmide invertida, que se baseia numa hierarquização dos elementos que compõem a notícia. Vamos do mais importante ao menos importante e é o jornalista quem decide o que na notícia se deve salientar primeiro.

A notícia pode ser vista como «artefactos linguísticos que procuram representar determinados aspectos da realidade e que resultam de um processo de construção e fabrico onde integram, entre outros, diversos factores de natureza pessoal, social, ideológica, cultural, histórica e do meio físico/tecnológico, que são difundidos pelos meios jornalísticos e aportam novidades com sentido compreensível num determinado momento histórico e num determinado meio sócio-cultural (…)»22. Isto é, artefactos linguísticos na medida em que as notícias são construídas com base na linguagem. Esta não nasce do nada. Ela é fruto de um contexto cultural, social, pessoal e são estes factores que a criam. É, portanto, pela conjugação deles que a notícia nasce e a sua essência é a actualidade. Ora, as notícias representam a nossa realidade social, o que acontece à nossa volta e o simples facto de existirem fá-las elementos activos da construção das realidades novas.

É o sistema jornalístico que transforma os acontecimentos em notícias e estas surgem pela conjugação de vários factores. Sofrem a acção pessoal, social, ideológica, cultural, a acção do meio físico e tecnológico e a acção histórica23.

A notícia é fruto da acção pessoal uma vez que é, em parte, fruto das pessoas, das suas interacções, do seu quotidiano e das suas intenções. A notícia nasce também do sistema social e do que nele acontece. Quando se menciona a acção ideológica, fala-se que as notícias brotam também das forças de interesse, seja ele consciente ou não. Mas as notícias são igualmente, como já foi referido, consequência do sistema cultural de onde desabrocham bem como da história passada da sociedade e dependem ainda dos dispositivos tecnológicos aquando a sua produção. Tudo isto influencia na decisão do que é notícia ou não e toda esta reunião de factores criam a notícia.

Mas será que aquilo que tento transmitir na minha notícia é aquilo que o leitor vai entender? Será que quando escrevo A o leitor também vai entender A? Bom, nada garante que assim seja, nada garante que aquilo que o profissional dos media escreve será exactamente o que o consumidor entenderá. Há sempre um risco.

Segundo Michael Schudson24 as notícias são passíveis de serem explicadas mediante três elementos ligados entre si: uma acção pessoal, uma acção social e uma acção cultural.

No que respeita a acção pessoal «é quase intuitivo dizer-se que as capacidades pessoais, a figura do jornalista-autor (original, criador…) são, entre outros, factores que enformam as notícias. (…).»25 Um dos primeiros estudos neste campo apurou que a selecção das notícias é altamente subjectiva e influenciada pelas experiências e valores dos gatekeepers, que controlam o que passa pelos portões que guardam, decidindo assim o que passa e o que fica de fora. A decisão é condicionada por inúmeros factores como é o caso do meio em que os jornalistas vivem. Ora, na construção das notícias existem vários aspectos a ter em conta, tais como o papel individual de repórteres e editores, o espaço, o meio social e cultural, as políticas organizacionais, entre outros. Alguns destes factores escapam à tentativa de controlo dos jornalistas.

Sabe-se que o ser humano processa pouca informação a cada momento e por isso os profissionais dos media organizam as informações para que tenham sentido. Procuram e seleccionam também o que está de acordo com as suas convicções, ainda que grande parte das vezes o façam sem intenção. Ao socorrer-se das rotinas para avaliar os acontecimentos, o jornalista tenderá a produzir informação de forma padronizada, considerando sempre situações semelhantes como possuidoras de valor-notícia. «Em condições de sobre-informação as pessoas e, por conseguinte, os jornalistas, recorrem a formas estereotipadas de pensamento (o que pode ajudar a explicar a padronização noticiosa); e também que, quando fazem inferências, as pessoas, como os jornalistas, baseiam-se mais em episódios anedóticos do que em dados sistemáticos, como os dados estatísticos».26

Um estudo de Johnstone, Slawski e Bowman concluiu que há jornalistas que se consideram “neutros” outros que se consideram “participantes”. Os que assumiam uma posição “neutra” limitavam-se a recolher, tratar e difundir as informações do modo mais objectivo possível e evitavam publicar o que não estivesse confirmado. Já os que se consideravam “participantes” achavam que se deve investigar, que a informação deve ser explorada, descortinada. Viam-se como controladores dos poderes, pesquisando todo o tipo de informações, sobretudo as governamentais. Têm o poder de discutir e criar interesses intelectuais e culturais. Isto demonstra que as notícias são influenciadas pela forma como os jornalistas se vêem a si próprios.

Quanto à acção social pode dizer-se apenas uma pequena parte dos acontecimentos se transformam em notícia, independentemente da vontade dos profissionais dos media, pois são os outros considerados normais para a vida em sociedade. Daqui podemos perceber que há potenciais notícias que participam da construção da realidade e outras que não. «Em termos de acção social, é preciso fazer notar, por exemplo, que as organizações burocratizadas em que os news media se tornaram, têm uma grande dependência dos canais de rotina (conferências de imprensa, tribunais, agências noticiosas, press-releases, (…) acontecimentos mediáticos, photo opportunities, etc.) Essa dependência é, provavelmente, mais elevada do que a dependência das actividades empreendedoras dos jornais e dos canais informais.»27 A troca de informações entre os jornalistas e as fontes é também incluída na acção social.

Os valores partilhados pelos jornalistas, os valores sociais, podem sobrepor-se à acção pessoal.

Mas tanto a acção pessoal como a acção social são influenciadas pela acção cultural. Quando estamos perante culturas diferentes estamos também perante jornalismos diferentes e de distintos modos de o praticar.

Pode ainda falar-se em acção sócio-organizacional pois os jornalistas trabalham em organizações onde interagem, não individualmente. As empresas jornalísticas têm os seus próprios procedimentos e os seus profissionais devem ser seus conhecedores e praticá-los. Ou poderão, em certos casos, correr o risco de sofrer sanções. E não é novidade que as organizações noticiosas detêm algum poder sobre os seus repórteres.

O processo de produção de notícias não é apenas afectado pela organização noticiosa, daí falar-se em acção social extra-organizacional. As fontes, por exemplo, são consideradas gatekeepers externos, fora empresa de comunicação. Elas escolhem que informação passar sempre que os media não têm a possibilidade de presenciar o acontecimento.

Há ainda a acção histórica que tem influência sobre nós e sobre a nossa vida em sociedade. Nós somos filhos e herdeiros da história e daí que ela também tenha peso no nosso dia-a-dia e na forma de vermos as coisas. «Podemos, assim, dizer que as notícias que temos, que os conteúdos e os formatos das notícias que temos, são fruto da história.»28 O desenvolvimento de processos de difusão de informação, a facilidade que se foi ganhando em distribuir os jornais, o alargamento dos temas noticiáveis ao longo dos anos são alguns dos factores históricos que desde o seu surgimento influenciam a área a que se destinam.

As diferentes tecnologias mudam o modo como se faz notícia, o que leva a que se fale também em acção tecnológica.

Assim, as notícias que temos variam conforme o meio sócio-cultural e o momento histórico.

Mas há também quem considere a notícia um meta-acontecimento, ou seja, é um acontecimento sobre um outro acontecimento. Assim a relação entre a notícia e o acontecimento é de tal forma forte que a própria notícia poderá vir a desencadear outros acontecimentos.

A produção, a circulação e a objectivação são os três principais momentos que fazem a notícia29. Num primeiro momento, na produção, seleccionam-se as informações a tratar para que saia o produto final. É nesta instância que estão as inter-relações entre «os interesses dos diferentes grupos: as empresas de comunicação e os profissionais do jornalismo e as fontes e o público»30. As empresas estabelecem os fins que pretendem sejam eles económicos ou políticos, os jornalistas estabelecem a forma como farão o seu trabalho, as fontes e o público influenciam aquilo que é o conteúdo da informação. No momento da circulação é onde as notícias se tornam tema de debate público, «É a etapa em que se produzem os efeitos da informação a curto prazo, os públicos estruturam o conteúdo da informação (…)»31.

Os acontecimentos não são concretos, observáveis e delimitados no tempo ou no espaço. Eles estão sempre ligados a outros acontecimentos e são antes passíveis de serem moldados através da escrita, das imagens. Quanto mais actual for a situação melhor, o que já aconteceu não tem tanto valor como o que está a acontecer.

Ora, em suma as notícias são, como afirmou Nelson Traquina, «o resultado de um processo de produção, definido como a percepção, selecção e transformação de uma matéria-prima (os acontecimentos) num produto (as notícias)»32

Importa ainda referir que as características pessoais, aquilo que é específico de cada indivíduo da audiência e que nasce com ele (fluência verbal, memória visual) e alguns que vai ganhando ao longo do seu percurso (as várias línguas, a escrita); as características dependentes da posição social, como a educação, rendimento, sexo, entre outros; e as da estrutura da sociedade, ou seja a organização da sociedade. Delas depende se o indivíduo é mais vulnerável ou não à comunicação.

Capítulo II


Construção Social da Realidade
Antes de ser mencionado o conceito de construção social da realidade é forçoso que se fale de na noção de enquadramento.

O enquadramento está intimamente ligado à representação, à ênfase. O conceito diz respeito à selecção daquilo que se acha ser o mais importante, concedendo-lhe por isso um maior destaque. Os frames, os enquadramentos, classificam, organizam, para se seja possível identificar e localizar os acontecimentos. Como veremos no capítulo VI, no «caso Martunis», está presente a forma como o jovem que vestia a camisola da selecção se torna o enquadramento português para o Tsunami do sudoeste asiático. Já no «caso Maddie» o facto de a menina inglesa ter desaparecido em território português torna-nos parte deste drama. Em suma, os acontecimentos são geralmente interpretados dentro de enquadramentos.

Acredito, no entanto, que será mais fácil entender enquadramento quando se fala em acontecimentos fora do território nacional, pois ao haver uma ligação, por mais pequena que seja, a esse acontecimento somos cativados. Não é, então, necessário encontrar um enquadramento para o que acontece por terras lusas, pois este já existe e é inteiramente português e por isso apenas já nos interessa a todos.

Falemos agora do importante conceito que é o da construção social da realidade. Ele diz-nos que toda a realidade é uma realidade construída, pois está sempre no contexto de uma determinada cultura que a condiciona. «O poder dos media é geralmente simbólico e persuasivo, no sentido em que estes têm principalmente o potencial de controlar, até certo ponto, as mentes dos leitores ou telespectadores, mas não o de controlar directamente as suas acções.»33

Os media influenciam-nos constantemente e, em grande parte, sem nos apercebermos disso. Ajudam a formar novas ideias e a mudar opiniões conforme os seus interesses. Segundo Rémy Rieff, os meios de comunicação social visam a «unificação das opiniões mas também uma pacificação: a imprensa desempenha, de certo modo, o papel de um “cimento social” que reúne populações (…)»34. Mais do que influenciar a nossa maneira de pensar dizem-nos sobre o que pensar e quando pensar. Tomamos por certo o que se nos apresenta e adoptamos um papel quase de passividade no que respeita esta influência. São os media que constroem as realidades, por mais objectivos que pretendam ser. Está-se sempre inserido num contexto de valores, juízos, etc. Ninguém se questiona ou reflecte acerca do que nos é dado como certo pela comunicação social.

É neste sentido que surgem os conceitos de “mundo da vida” e de “atitude natural” de Alfred Schutz. A atitude natural aparece-nos como a suspensão de qualquer dúvida sobre a existência de uma realidade dominante em relação a outras. Desenvolve-se com base na generalidade dos actores que actuam no mundo da vida. Aqui interessa que o homem aceite como evidente o conhecimento e crença que detém do mundo, aceitamos os factos tal qual eles se nos apresentam. «O termo “atitude natural” foi usado, assim, para designar o modo pelo qual percebemos, interpretarmos e agimos no mundo em que nos encontramos.»35 Ou seja, percepciona-se acreditando que as coisas são tal e qual nos aparecem há uma suspensão da dúvida. O mundo torna-se numa certeza absoluta que não é posta em causa. Não reflectimos acerca dele.

O mundo da vida é então o mundo das evidências, onde nos relacionamos com objectos e coisas. Estes relacionamentos são inquestionáveis – atitude natural. Ora, os media correm o risco de ficarem presos á mera divulgação de certas crenças que são a «atitude natural de um determinado grupo.»36 É a partir daqui que os meios de comunicação difundem o que é «socialmente disponível». O jornalista vê-se obrigado a meditar sobre as tipificações que são, acima de tudo, generalizações, que para o jornalista tornam compreensível para o leitor comum. Então a realidade será descrita de acordo com o que o jornalista acha mais relevante. Deste modo, de acordo com novas situações, agimos como já havíamos agido em situações anteriores análogas.

«Os media tanto podem impor os seus temas na ordem do dia e fomentar o conformismo, como podem também alargar o debate e favorecer a multiplicidade de opiniões.»37

A comunicação social influencia os cidadãos ao moldar os acontecimentos. O simples facto de escolherem o tema a tratar, em detrimento de outros, e quais os ângulos a referir, limita muito as escolhas e a intervenção do leitor.

Sendo que no mundo da vida e na atitude natural, onde tudo o que nos é apresentado é tomado como verdadeiro, também a influência dos media é aceite sem se reflectir ou discutir sobre a mesma.

É noticiado o que é valorizado pelo jornalista e, neste caso concreto, a importância do nível hierárquico dos indivíduos. Ora, a notícia será tanto mais noticiável quanto mais importantes forem os intervenientes.

A notícia será mais ou menos noticiável consoante o impacto sobre a nação e o interesse nacional. Por outras palavras, para que o assunto seja passível de ser noticiado deve ser, antes de mais, «o acontecimento deve ser significativo (…) susceptível de ser interpretado no contexto cultural do ouvinte ou do leitor.»38

Importante também é referir a lei da proximidade, a partir da qual se selecciona o que está mais perto dos interesses do público a que a informação está destinada. ´

É também através da comunicação social que se chega a determinadas ideias e conclusões e é também por eles que os reforçamos.


Os temas noticiosos giram à volta de indivíduos, o que atrai mais o leitor são as pessoas: «as pessoas importantes, as pessoas proeminentes – o que elas fazem e o que lhes acontece»39.

«As estórias de “interesse humano” centram-se em indivíduos em situações contingentes ou em paradoxos actuais»40. Significa isto que as «estórias» quebram aquilo que se espera, são algo inesperadas. É realçado o concreto, o particular e o individual em detrimento do estrutural, abstracto e universal.

As notícias tendem a anunciar os acontecimentos como frases onde «existe um sujeito, uma denominada pessoa ou colectividade composta por algumas pessoas. (…) a tese é a de que a apresentação encontrada assemelha-se mais ao que se descobre na tradicional análise histórica personificada.»41 Através desta personificação é mais simples fixar o acontecimento, surge de uma necessidade de significado e identificação, na qual as pessoas são melhores que os objectos. Com personificação, o assunto tem mais probabilidades de ser publicado.

Surge também aqui o conceito de herói, na medida em que com a notícia centrada em apenas uma pessoa, em um único rosto, mais facilmente capta o leitor e o emociona. O drama é de extrema importância.

Aparece a noção de pseudo-acontecimento pela mão de Daniel Boorstin, em 1961. Este é o acontecimento planeado, não acontece naturalmente. Para o autor «o mais importante efeito da televisão foi a disseminação da imagem de um esmagador sentimento público a favor do general.»42 Assim a realidade genuína não se parecia com a realidade retratada no pequeno ecrã.

Realidades Múltiplas e Ideologia


Sendo a realidade uma construção há então uma grande variedade de realidades. Tantas quantas experiências há. Esta variedade está presente no mundo da vida, das evidências, das vivências e experiências. Estamos, assim, perante inúmeras realidades, daí o termo “realidades múltiplas”. É através da tipificação, da generalização dos acontecimentos que estas realidades se podem tornar semelhantes, caso contrário estaríamos perante um autêntico caos.

Outro dos conceitos aqui patentes é o de ideologia que se reporta para ideias, valores e crenças, de um determinado grupo ou pessoa.43 «As ideologias são sistemas de cognição social essencialmente avaliativos: fornecem não só as bases a partir das quais se formulam apreciações acerca do que é bom ou mau, certo ou errado, mas, também, directrizes indispensáveis para a percepção e interacções sociais. Pressupõe-se, então, que os constituintes basilares das ideologias são valores sócioculturais como a Igualdade, a Justiça, a Verdade ou a Eficiência.»44

Para Marx, a ideologia aparece como uma distorção, ocultação, da realidade ao serviço de um determinado grupo. É como que um conjunto de ideias de um grupo dominante, para que este possa ocultar essa sua dominação. «(…) as ideologia estão localizadas entre as estruturas sociais e as estruturas das mentes dos actores sociais (…) para conhecimento e crenças que compõe os modelos concretos das suas experiências do dia-a-dia, isto é, as representações mentais das suas acções e discurso.»45

A própria ordem das palavras, o léxico utilizado, os contextos social e cultural tem, grande parte das vezes, bases ideológicas. Os media são produtores de ideias e logo são aparelhos ideológicos produtores de ideologias. As suas construções constroem significados que aceitamos como certos.


Discurso Jornalístico e Layout


O poder dos meios de comunicação social é inegável, a escrita jornalística mostra que «repórteres, editores e directores tendem a apresentar os seus problemas sob a forma de mitos ou dramas sociais.»46 Os media escolhem o ângulo a tratar, como referido, e assim «intensificam os sentidos». É pela ideologia no discurso que se constroem os sentidos através de expressões.

Entende-se por layout o posicionamento de determinada notícia na página. Isto não se aplica apenas à imprensa escrita, mas também na televisão dizendo respeito ao facto de aparecer no início, a meio ou no fim.

A notícia mais importante aparecerá assim em primeiro lugar, as outras mais importantes irão aparecendo como Promo ao longo do telejornal para lembrar o espectador que ‘não saia do seu lugar’ pois daqui a pouco se vai falar naquele assunto. É mais uma forma de prender o público e impedir que ele mude de estação.

A forma como se elabora o jornal, a distribuição das notícias, a escolha das imagens, a escolha dos títulos (que devem ser chamativos), se a notícia aparece na página esquerda ou na direita, se está em cima ou em baixo (no caso da imprensa escrita), tem em vista a audiência, cativar o maior número de pessoas.


Capítulo III
As Teorias dos Efeitos
Ao longo da história da comunicação e à medida que cada novo meio ia surgindo, o homem era invadido por dois sentimentos: o fascínio, pois era a emergência de um mundo de promessas, e o medo, uma vez que ao mesmo tempo crescem ameaças. Também a escrita suscitou muitas dúvidas aquando o seu aparecimento, o próprio Sócrates alertou que ela causaria preguiça mental.47

«Conta-se nos meios jornalísticos que, na preparação para o lançamento das televisões privadas em Portugal, o responsável pela TV1, Roberto Carneiro, se deslocou a França para estudar formas de cooperação de uma cadeia local. Mas quando se apresentou como o presidente da televisão da Igreja, o seu homólogo francês não pôde conter a catadupa de gargalhadas, e, ainda a rir, explicou que ao longo da sua vida profissional apenas vira na televisão gente ligada ao Diabo. Aquela era a primeira vez que encontrara um emissário de Deus.»48

Ainda que não se saiba ao certo se tal história é ou não verdade, ela é reveladora da desconfiança em relação ao que é feito pelos meios de comunicação de massas.

Os meios de comunicação foram ganhando, ao longo da sua existência, uma grande importância, uma vez que incentivaram o desenvolvimento da intelectualização do mundo social ao favorecer a circulação de pensamentos e pareceres. Mas ao mesmo tempo, segundo Gabriel Tarde, colaboram para uma pacificação, uma vez que desempenham também um papel de «cimento social» ao reunir populações até então dispersas, e para a atenuação de conflitos, sendo que promovem o diálogo e ajudam a ter consciência da existência de várias opiniões. Assim, contribuíram para profundas alterações sociais. «As pessoas, de algum modo, tornaram-se testemunhas dos acontecimentos que afectam a vida pública, “assistindo” mesmo ao seu desenvolvimento em determinadas circunstâncias.»49

Com os media, mudou a política e a relação desta e dos políticos com a sociedade, pois são o principal veículo de comunicação entre eles, mas não só. Aumentou o conhecimento sobre os pequenos acontecimentos do dia-a-dia, sobre arte, economia, ciência, etc., informações que podem tornar-se úteis. À medida que se desenvolveram em determinada sociedade, os meios jornalísticos tornaram-se parte da estrutura política, social, económica, histórica e cultural. No entanto, o que nos é dado a conhecer por eles são realidades mediatizadas por eles próprios. O que significa que o que lemos, vemos e ouvimos nos media são já interpretações dessas realidades.

«De alguma maneira, os meios de comunicação moldam o nosso horizonte de conhecimento sobre um determinado número de realidades, especialmente de realidades actuais (ou que são abordadas na actualidade, quer pela primeira vez, quer porque há uma recuperação do tema)».50 No que respeita o comportamento social, dizem-nos constantemente, embora por vezes involuntariamente, a perspectiva do que é correcto e incorrecto. Influenciam também as atitudes sociais no que concerne, por exemplo, as relações raciais, de forma a mostrar a opinião maioritária, levando assim os indivíduos a moldarem a sua postura de acordo com determinada questão.

Já desde o aparecimento dos meios jornalísticos que foi crescendo uma preocupação em relação ao poder da comunicação social e para estudar os efeitos desta foram também surgindo teorias. E, embora se distingam de muitas formas, todas elas concordam que os meios de comunicação produzem efeitos na sociedade.

E muita tem sido a teorização sobre a influência da comunicação de massas. Os efeitos têm sido alvo de interesse, quer por aqueles que pretendem que a sua mensagem atinja outros, quer por aqueles que temem possíveis impactos negativos.

Os primeiros estudos surgiram nos Estados Unidos, na década de 30 do passado século. Aquilo a que Mauro Wolf chamou communication research51, ou longa tradição de análise, foi estando a par dos problemas que iam surgindo. «…pesquisadores como Harold Lasswell (cientista político americano), Paul Lazarsfeld (sociólogo norte-americano), Kurt lewin (psicólogo alemão) e Carl Hovland (estudioso das teorias e técnicas de comunicação) (…)»52.

Inúmeras são as vertentes de pesquisa que foram surgindo, senão vejamos (seguirei a mesma ordem de José Rodrigues dos Santos, em Comunicação):


A Teoria Mecanicista E – R
Esta teoria foi popularizada a partir dos anos 20 e os efeitos da propaganda durante a Primeira Guerra Mundial influenciaram e confirmaram este modelo. No período que se seguiu à guerra, começou acreditar-se que os meios de comunicação de massas tinham a capacidade de moldar opiniões e levar o público pela direcção que mais lhes aprouvesse.

Conhecida também por “teoria da agulha hipodérmica”, via os media como agulhas que injectavam determinados estímulos para obter as reacções pretendidas. “Teoria das balas mágicas” foi outra expressão criada para designar esta corrente de pensamento. Afirmava ela que o processo de comunicação equivale ao que acontece com o tiro ao alvo. Aqui alvo não resiste e quando é atingido, cai. As pessoas, o alvo, são indefesas quanto ao que os meios de comunicação, as balas, difundem.

Segundo esta concepção, aos estímulos a que nos sujeita a comunicação de massas sucedem-se resultados precisos. Ora, grande parte do comportamento dos indivíduos é orientado, de acordo com a teoria da agulha hipodérmica, por mecanismos biológicos que actuam entre estímulos e respostas, de tal modo que é possível fazer corresponder a mensagem mediática e a reacção da audiência.

Os media são, assim, omnipotentes influenciando directamente os indivíduos, é reduzida a comunicação humana a uma relação automática de estímulo e resposta. «Um estímulo é encarado, numa situação pedagógica, como sendo um acontecimento ou objecto físico capaz de afectar os órgãos sensoriais de um organismo, e a resposta traduzir-se-á num acto aberto e mensurável.»53

Este é um modelo de cariz behaviorista e as versões mais afincadamente behavioristas defendem que mesmo os actos de comunicação mais espontâneos são respostas aos estímulos observados. «(…) durante o período da teoria hipodérmica, os efeitos, na sua maior parte, não são estudados, são dados como certos.»54

Esta teoria parte do pressuposto de que as mensagens são distribuídas em larga escala de modo a atingir muitos indivíduos. Segundo ela, todos os destinatários são iguais, apenas contam os números, «admite-se que a tecnologia de reprodução e a distribuição neutra maximizem o binómio recepção-resposta»55. À intervenção de um grupo social não é dado qualquer relevo, pois aqui entre o produtor da mensagem e o indivíduo há uma relação directa.

Em suma, a teoria mecanicista afirma que a comunicação é acima de tudo um processo de reacção, onde só não é influenciado quem não foi atingido pelos media. A teoria mecanicista proporcionou a base de muitos dos pensamentos e estudos sobre os efeitos dos meios de comunicação de massas.

Muitos responsabilizaram esta teoria por dar a ideia que os meios jornalísticos não são mais que um processo de persuasão, outros falaram também do exagero quando se falava na omnipotência dos mesmos. No entanto não se pode negar que foi este modelo que chamou atenção para algo muito importante, os efeitos, o poder de influenciar.


Nos anos 20, quando estava em voga a teoria mecanicista surgiram também preocupações relativas à influência do cinema. Estudos realizados concluíram que influenciava atitudes e comportamentos, dando novas ideias aos mais novos, que estimulava emoções e mostrava realidades diferentes, acima de tudo padrões diferentes aos que existiam de facto. Além disso, o cinema perturbava o sono e confundia as crianças ao mostrar interpretações distintas do que ocorria no dia-a-dia. «Os pais assustaram-se. (…) era o cinema, e não eles, quem estava a educar as crianças. (…) esta pesquisa confirmou igualmente o carácter subversivo e maquiavélico dos meios de comunicação de massas. Tudo indicava que a comunicação social influenciava de facto, e de forma directa e causal, os indivíduos. Esta conclusão contribuiu decisivamente para criar o que os cientistas americanos designam agora por legado do medo. Medo dos jornais, da propaganda, do cinema. Em suma, medo da comunicação de massas.»56
Quando se fala da influência e capacidade de persuasão dos media é inevitável lembrar a célebre emissão de Orson Welles. Em 1938, a emissão da Guerra dos Mundos foi uma grande oportunidade de estudar o fenómeno.

Queria saber-se porquê este programa assustou tanto a população, algo que não aconteceu com outros programas. Os investigadores descobriram que os efeitos desta emissão não foram uniformes, ou seja, houve pessoas que se assustaram mas outras não. Esta conclusão não ia de encontro à teoria mecanicista do estímulo-resposta que falavam da transmissão da mensagem a uma massa uniforme.

Na base do pânico estava então a confiança dos Americanos na rádio aliada ao facto de a Guerra dos Mundos ter sido emitida numa altura sensível para os Estados Unidos, que tinham saído da Grande Depressão e, a um ano da Segunda Guerra Mundial, o país atravessava um período de tensão política. «(…) o recurso a reportagens no local e a entrevista com especialistas, e ainda o facto de muitos ouvintes terem sintonizado a Guerra dos Mundos a meio da emissão, perdendo assim os avisos iniciais que se tratava de uma peça de ficção.»57

Os meios de comunicação de massa possuem um poder imenso, esta foi a grande conclusão dos cientistas sociais. Este estudo desmente certos pontos da teoria das balas mágicas, demonstrando que o público é heterogéneo e que as mensagens mediáticas não atingem todos da mesma forma.

A emissão fez o público temer os novos meios de comunicação e obrigou à alteração da teoria mecanicista, de estímulo-resposta. Assim, esta concepção teve de ser alterada, dando origem ao «modelo psicodinâmico»58, assim designado por Melvin De Fleur, que ao ter em conta personalidade de cada indivíduo, como uma variável no processo dos efeitos, corrige a anterior teoria.

A Fórmula de Lasswell


Em 1948 Harold Lasswell59 escreveu no artigo «The Structure and Function of Communication in Society» uma das mais famosas expressões sobre a investigação do processo de comunicação. Segundo este cientista político americano «Uma forma adequada para desenvolver um acto de comunicação é responder às seguintes perguntas:

Quem?


Diz o quê?

Por que canal?

A quem?

Com que efeito?»60


Esta concepção tornou-se a primeira sistematização dos problemas comunicacionais e definiu que a cada termo do enunciado correspondia a um elemento específico do acto comunicativo.

Quem?
Emissor

Por que canal?
Meio

Com que efeito?
Efeito

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