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O jogo intertextual em alice no país das maravilhas e alice no país da mentira


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O JOGO INTERTEXTUAL EM ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS E ALICE NO PAÍS DA MENTIRA

Regina Chicoski (Departamento de Letras-UNICENTRO, e-mail: regina@irati.unicentro.br


Palavras-chaves: paródia, Alice no País das Maravilhas, Alice no País da Mentira.
RESUMO

O presente pesquisa se refere a um estudo comparado das obras Alice no País das Maravilhas (1865), de Lewis Carroll e de Alice no País da Mentira (2005), de Pedro Bandeira. A visita da protagonista, aos exóticos países, propicia, via análise comparada, uma reflexão sobre as sociedades nos séculos XIX e XXI.


Introdução

Esta pesquisa propõe-se analisar comparativamente a obra Alice no País das Maravilhas (1865), de Lewis Carroll e Alice no País da Mentira (2005), de Pedro Bandeira, levando em conta algumas características como: o nonsense, o maravilhoso, o fantástico, a carnavalização e a paródia.

A obra de Carrol é universalmente conhecida e faz uma crítica aos costumes rígidos da era vitoriana. O autor satiririza a excessiva lógica dos exageros a que era submetida a população. O enredo proposto por Bandeira é intertextual e propõe uma reflexão sobre o padrão de comportamento da sociedade no que se refere ao uso da palavra.

O percurso da protagonista Alice pelo País das Maravilhas, um mundo mágico, confuso e completamente ao contrário, é tema do satírico enredo de Carroll. Em contrapartida, Bandeira parodiando Carroll, transporta Alice para o País da Mentira e para o País da Verdade.


Materiais e métodos

A pesquisa é de cunho bibliográfico. Para a realização da mesma foram utilizados materiais bibliográficos que deram suporte teórico para a análise comparativa entre as obras literárias.


Resultados e discussões

A obra Alice no País das Maravilhas foi inspirada em Alice Liddell, uma das três filhas de Henry Liddell, amigo de Lewis. O escritor levava com freqüência as irmãs Liddell para passear no rio Tamisa, alternando conversas e histórias inventadas em cada ocasião. Há suposições que Lewis cultivara um amor platônico pela menina. A obra de Carroll se tornou um dos maiores clássicos da Literatura.

A obra Alice no País da Mentira é inspirada na obra de Carroll. Por meio da paródia, Bandeira cria um texto instigante, capaz de levar o receptor a buscar outros textos como: As aventuras do Barão de Münchhausen, de Rudolph Erich Raspe; a poesia de Fernando Pessoa; o longo poema Odisséia, de Homero, que conta as aventuras em que o herói Ulisses se envolve ao voltar para casa, na Ilha de Ítaca, depois de ter lutado na Guerra da Criméia; informações sobre a Guerra da Criméia; sobre o filósofo grego Diógenes de Sínope; sobre o filósofo Aristóteles; e, obviamente a obra de Bandeira dialoga com Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Há um jogo intertextual na obra que a torna fascinante.

A protagonista dos dois livros chama-se Alice. Os caminhos que ela percorre durante às visitas pelos exóticos países, permite ao receptor refletir a condição humana na sociedade, pois além da aventura mostrada, as obras fazem uma sátira social.

Lewis Carroll escreveu durante o reinado da Rainha Vitória, de 1837 a 1901, e em plena vigência do racionalismo “vitoriano”, cujas normas e limites eram rígidos, principalmente em se tratando da moral, do sexo e do respeito. Pedro Bandeira escreve em 2005, na era chamada hipermoderna, que busca imitar estilos mortos, não por imitar simplesmente, mas por recriar e apresentá-los numa nova proposta, inovadora, criativa.

Lewis Carroll faz uma transfiguração simbólica das situações reais, uma sátira à excessiva lógica e uma análise dos exageros a que eram submetidos os homens. Ele satiriza o reinado da Rainha Vitória, a qual pretendia governar a vida das pessoas. Então, o que em primeira análise pode parecer uma brincadeira, é sem dúvida uma crítica aos exageros das autoridades perante a população. Bandeira, por sua vez, também faz uma sátira aos dogmas, provoca o leitor a refletir sobre o que são as mentiras e as verdades na sociedade atual.

Observando as características presentes nas obras, em análise, percebe-se que as implicações do nonsense - termo que significa sem sentido, absurdo - atuam nos enredos. Os autores ressaltam a fantasia, o absurdo, o inesperado, que encantam os leitores. De forma sutil e sofisticada, o maravilhoso é abordado, há mistura do imaginário, do fantástico com o cotidiano, o que torna possível as aventuras que só podiam existir na fantasia. Isso leva o receptor a pensar no conceito de carnavalização postulado por BAKHTIN, 2002. Apesar de o carnaval não ser um fenômeno literário, mas uma forma sincrética de espetáculo de caráter ritual que apresenta variações dependendo de épocas e povos. Na literatura, a carnavalização é conhecida como uma espécie de “mundo às avessas”, ou seja uma inversão crítica ou satírica das formas tradicionais da sociedade e das tradições literárias. Propõe uma outra ordem do mundo que não é natural, nem absoluta, mas que pode ser mudada.

Os autores mostram um mundo completamente ao contrário. Os países são construídos numa confusão de acontecimentos, no qual o enredo é banal, mas os diálogos são inteligentes e intencionais. No desenvolvimento das ações, a protagonista consegue se entender com esse “mundo às avessas” e assume uma postura confiante diante das situações que encontra.


Conclusões

A trajetória da personagem Alice pelos países representa um resgate ao questionamento de identidade, da existência pessoal e dos valores pregados pela sociedade. A personagem principal partindo do imaginário, embarca no sonho e abre as portas de um universo fantástico e completamente às avessas, no qual a busca pelo desconhecido, pelo novo contribuem para o crescimento da personagem.

A comparação entre as obras permite evidenciar aproximações entre as obras. Carroll satiriza a excessiva lógica dos exageros a que era submetida a população de sua época, comandada pela Rainha Vitória, e Bandeira questiona os dogmas impostos por meio de mentiras e verdades na sociedade contemporânea.
Referências

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