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Efeito da solarizaçÃo no combate às infestantes maria de Lurdes Silva


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EFEITO DA SOLARIZAÇÃO NO COMBATE às INFESTANTES

Maria de Lurdes Silva (1), Arminda Lopes (2), António Pinto (3) e Sónia Fernandes (4)


(1) Assessor Principal DRABL; (2) Técnico Superior Principal, DRABL; (3) Professor Adjunto, ESAV;

(4) Engenheira Alimentar, DRABL


1 – INTRODUÇÃO
Um dos grandes objectivos do Projecto AGRO Nº 740 “Valorização de variedades regionais de pomóideas em modo de produção biológico” consiste na instalação de um pomar com cerca de 0,8 ha, cumprindo todas as regras definidas para este modo de produção.
Assim, de acordo com a programação pré-estabelecida, procedeu-se à solarização do terreno com o intuito de destruir, de um modo natural, o maior número de infestantes e microrganismos que possam ser prejudicais à cultura.
A solarização que consiste na elevação da temperatura do solo, através do aproveitamento da energia solar, é um método relativamente recente de desinfestação, iniciado em Israel e, desde 1976, ensaiado ou adaptado em, pelo menos, 40 outros países, (KATAN, 1992).
Paralelamente ao efeito do calor, outras acções contribuem para a desinfecção do solo nomeadamente, o aumento da humidade, o aumento dos gases voláteis do solo (dióxido de carbono, metano, etc.) e também o acréscimo dos microrganismos antagonistas relativamente aos patogéneos (Ferreira et al., 2002).
O comportamento das infestantes em relação a este processo varia bastante. No Quadro 1 são referidas algumas infestantes e a susceptibilidade manifestada à solarização.

Quadro 1 – Plantas infestantes combatidas por solarização do solo (-) e infestantes resistentes (+)



INFESTANTE


SOLO

SOLARIZADO



SOLO NÃO SOLARIZADO

Amaranthus graecizans (bredo)


(-)

(+)

Convolvulus arvensis (corriola)

(+)

(+)

Chenopodium album (catassol)

(-)

(+)

Polygonum aviculare (sempre-noiva)

(-)

(+)

Portulaca oleracea (beldroega)

(+)

(+)

Echinochloa crus-galli (milhã-pé-de-galo)


(+)

(+)

Lolium spp. (azevém)

(-)

(+)

Setaria spp. (milhã)

(-)

(+)
(Extraído de Ferreira et al., 2002)
Caixinhas e Silveira, (1992) verificaram, num dos seus trabalhos, que a Datura stramonium (figueira-do-inferno) exsuda muitas substâncias alelopáticas e isso tem influências muito importantes na germinação. Segundo os mesmos autores esta infestante não é controlada com a solarização.

Além da Datura stramonium ter estas características ainda é, juntamente com o Amaranthus retroflexus (bredo) importante hospedeiro de vírus, ( Silveira & Borges, 1984).


Segundo Borges, (1992) as infestantes são gravíssimas na transmissão de vírus e podem transferi-los às culturas quando presentes. A temperatura desenvolvida no solo, devido à solarização, é importante porque os vírus podem ficar inibidos de se alimentar nas raízes das infestantes, que eventualmente se possam desenvolver sob o plástico. As sementes são também fontes de vírus.
O controlo das infestantes por este método traz vantagens quando utilizado em Modo de Produção Biológico porque contribui de forma considerável para a melhoria do ambiente.

2 – MATERIAL E MÉTODOS


Este estudo, onde se aplicou a solarização do solo em faixas, foi realizado na Estação Agrária de Viseu, durante o Verão de 2004 (13 de Julho a 27 de Setembro), no terreno destinado à plantação de macieiras em modo de produção biológico (Figura 1).

Figura 1 – Instalação do plástico


O solo é do tipo Al, aluviossolo moderno derivado de granito, de textura mediana a ligeira, com boa espessura efectiva, bem provido de fósforo e de potássio assimiláveis, na camada 0-50 cm. O teor em matéria orgânica é médio (2,05%) e é moderadamente ácido (pH água – 5,9).
No gráfico da figura 2 podemos observar a distribuição semanal da média dos valores das temperaturas máximas e da precipitação, durante o período da solarização.

Figura 2 – Média dos valores das temperaturas máximas e da precipitação


Na cobertura do solo foi utilizada manga de plástico transparente, com 80 µ de espessura e 1,5 m de largura (largura útil de 3 m).
Para o cálculo da percentagem de cobertura seguiu-se a metodologia da Escala de EWRS (European Weed Research Society) e para indicar a fase de desenvolvimento das infestantes a Escala dos Estados Fenológicos (de 1 a 5). As datas das observações foram estabelecidas de acordo com o ciclo vegetativo das infestantes prováveis no pomar, nas nossas condições de solo e clima.


1ª Observação

2ª Observação

3ª Observação

4ª Observação

5ª Observação

6ª Observação

8/Julho

9/Agosto

17/Agosto

31/Agosto

12/Outubro

25/Novembro

3 - Resultados e Discussão


 A 1ª observação foi realizada em toda a área do terreno, uns dias antes da instalação do “plástico” nas linhas.

As espécies inventariadas nesta data foram agrupadas num total de 18 Famílias e 36 Espécies (Quadro 2).


Quadro 2 – Espécies inventariadas na 1ª observação


FAMÍLIA

ESPÉCIE

NOME VULGAR

AMARANTÁCEAS

Amaranthus retroflexus L.

Bredos

CAMPANULÁCEAS

Campanula lusitanica Loefl.

Jasione montana L.

Campainhas

Baton-azul



CARIOFILÁCEAS

Polycarpon tetraphillum (L.) L.

Spergula arvensis L.

Spergularia purpurea (Pres) G. Don fil.

Saboneteira

Esparguta

Sapinho-roxo


COMPOSTAS

Andryala integrifolia L.

Cirsium arvense (L.) Scop.

Conyza canadensis (L.) Cronq.

Hypochaeris radicata L.

Lactuca serriola L.

Picris echioides L.

Senecio vulgaris L:

Sonchus oleraceus L.

Taraxacum officinale

Tripa-de-ovelha

Cardo


Avoadinha

Leituga


Alface-brava-menor

Raspa-saias

Tasneirinha

Serralha-macia

Dente-de-leão


CONVOLVULÁCEAS

Convolvulus arvensis L.

Corriola

CRUCÍFERAS

Raphanus raphanistrum L.

Saramago

ESCROFULARIÁCEAS

Linaria spartea (L.) Willd.

Misopates orontium (L.) Rafin.


Ansarina-dos-campos

Focinho-de-rato



FABÁCEAS

Trifolium sp.

Trevos

GERANIÁCEAS

Erodium moschatum (L.) L’Hér.

Agulheira-moscada

GRAMÍNEAS

Avena sp.

Bromus sp.

Cynodon dactylon (L.) Pers.

Digitaria sanguinalis (L.) Scop.

Holcus sp,

Lolium perenne L.

Aveia

Fura-capa

Grama

Milhã-digitada



Erva molar ou lanar

Azevém perene



GUTÍFERAS

Hypericum sp

Hipericão

OXALIDÁCEAS

Oxalis corniculata L.

Trevo-azedo

PLANTAGINÁCEAS

Plantago lanceolata L.

Língua-de-ovelha

POLIGONÁCEAS

Polygonum aviculare L.

Rumex obtusifolius L.

Sempre-noiva

Labaça-obtusa



QUENOPODIÁCEAS

Chenopodium album L.

Catassol

RANUNCULÁCEAS

Ranunculus repens L.

Botão-de-oiro

ROSÁCEAS

Rubus sp.

Silvas

SOLANÁCEAS

Datura stramonium L.

Figueira-do-inferno

Em 30 de Julho o aspecto das linhas e das entrelinhas era como se vê nas figuras 3 e 4.








Figura 3 - Em 30 de Julho – aspecto das beldroegas na fase (2) (1ªs folhas verdadeiras) sob o plástico, nas linhas (faixas solarizadas)

Figura 4 - Em 30 de Julho – Catassóis, bredos, beldroegas, tasneirinha, brássicas, nas entrelinhas nas fases de plântula e com as primeiras folhas verdadeiras (1-2, 2). (faixas não solarizadas)




 Em 9 de Agosto (2ª observação), já com o “plástico” instalado nas linhas (Figura 5), o recobrimento total das entrelinhas variava entre 1 e 7,5%, notando-se nesta altura que havia dominância dos bredos, na fase de plântula (1), ou na seguinte (1-2), e de catassóis nas mesmas fases de desenvolvimento. Sob o plástico já se observavam, nalguns locais, beldroegas na fase (2), localizadas preferencialmente junto às bordaduras. Relativamente às outras espécies não se observou qualquer crescimento.



Figura 5 – Solo limpo e preparado para a solarização (1º plano) e plástico já instalado (2ºplano).

 Em 19 de Agosto (3 ª observação) o recobrimento total das entrelinhas variava entre 40-50%, havendo infestação mais forte, e com maior diversidade, no lado do terreno de maior declive onde os bredos, catassóis e figueiras-do-inferno dominavam.

No lado oposto (Norte) a infestação era menor e havia mais rebentações de labaças-obtusas. As infestantes aqui presentes estavam nas fases (2, 2-3) os catassóis e (3-4, 4), os bredos.

Sob o “plástico”, nas linhas, o recobrimento total da beldroega estava compreendido entre 30 e 40% na fase (3) Não se notavam germinações de outras infestantes. Nesta altura o plástico começou a rasgar, talvez pela precipitação um pouco intensa e continuada (Figura 2).

 Em 31 de Agosto (4 ª observação) a situação era bem diversa: o recobrimento total nas entrelinhas variava entre 80 e 100% com dominância de bredos (40%), a seguir de catassóis (15-35%) e de serradelas (5-7,5%). (Figura 6)

Nas linhas a beldroega atingia valores de recobrimento total entre 60 e 80%. Apesar de se encontrar na fase (3) o seu desenvolvimento não parecia normal: tinha  10 cm de altura, mas a coloração era ligeiramente amarelada como se pode verificar na figura 7.

Nas entrelinhas a beldroega também aparecia, mas dispersa e quase prostrada, com uma coloração verde normal para o seu estado de desenvolvimento.

Nas entrelinhas do lado Norte a % de recobrimento das labaças era de 15% e a altura do estrato herbáceo de ± 5 cm, menor que no lado de maior declive (Sul).



Nas linhas só se observaram, de um modo geral, beldroegas (Quadro 3).
Quadro 3 – Plantas infestantes combatidas pela solarização do solo (-) e infestantes resistentes (+)


INFESTANTE

SOLO

SOLARIZADO



SOLO NÃO

SOLARIZADO



Amaranthus retroflexus (bredos)

(-)

(+)

Convolvulus arvensis (corriola)

(-)

(+)

Chenopodium album (catassol)

(-)

(+)

Polygonum aviculare (sempre-noiva)

(-)

(+)

Portulaca oleracea (beldroega)

(+)

(+)

Digitaria sanguinalis (milhã digitada)

(-)

(+)

Echinochloa crus-galli (milhã-pé-galo)

(-)

(+)

Lolium spp. (azevém)

(-)

(+)

Setaria spp. (milhã)

(-)

(+)

Rumex angiocarpus Murb (azedinha)

(-)

(+)

Calendula arvensis (erva-vaqueira)

(-)

(+)

O aspecto do campo, em 24 de Setembro, pode ver-se nas figuras 6 e 7.








Figura 6 – Forte recobrimento total das infestantes nas entrelinhas, fase (4), e abaulamento do plástico nas linhas sob o efeito das beldroegas.

Figura 7 – Vêem-se nos locais onde o plástico rebentou além das beldroegas a sempre-noiva, com um desenvolvimento anormal.

 Em 12 de Outubro (5ª observação) os “plásticos” estavam todos rasgados. As linhas, em contacto directo com o meio ambiente, ficaram expostas à disseminação das sementes, que iniciaram a sua germinação nas faixas sujeitas à solarização devido ao facto de, nesta altura, se encontrar diminuído ou ser nulo o seu efeito. Certo é que a percentagem das beldroegas atingiu valores de 75-80% (Figura 8) e surgiram novas presenças de: bredos, catassóis, azevém, erva-vaqueira, grama, azedinha e corriola. A altura do estrato herbáceo era de ± 10 cm se bem que o estado fenológico de qualquer uma destas infestantes fosse muito aquém do observado nas mesmas espécies das entrelinhas; havia um nítido atraso de desenvolvimento.



Figura 8 – Contraste entre as entrelinhas e a linha quanto à diversidade e altura do estrato herbáceo









Nas entrelinhas do ensaio, a altura do estrato herbáceo era de ± 40 cm e o recobrimento total das infestantes de 90-100%, todas ou quase todas em plena floração (4) e algumas já a iniciar a maturação (4-5) (Figura 9). A serradela, resultante das sementes que ficaram no solo da sementeira do ano anterior, tinha uma % de recobrimento de 25, enquanto que os bredos, saramagos,



Figura 9 – Bredos e catassóis das entrelinhas nas fases 4-5 e com uma altura de ± 40 cm.

catassóis, brássicas e milhãs apresentavam, por ordem decrescente, os maiores valores de recobrimento por espécie. (Figura 9)




 Em 25 de Novembro houve um corte da parte aérea das infestantes nas entrelinhas. Nas linhas o aspecto das infestantes existentes era muito interessante: algumas verdes, outras secas como se tivessem sido queimadas por uma “monda química”.

É bem notório o contraste entre as linhas solarizadas e as entrelinhas não solarizadas (Figura 10).



Figura 10 – Contraste entre as linhas com as infestantes secas e as entrelinhas onde foi cortada a parte aérea das infestantes.








Na linha vêem-se alguns azevéns na fase (2-3) (Figura 11).

Figura 11 – Azevéns muito dispersos na linha e na fase (2-3).


No solo solarizado desenvolvem-se alterações químicas e/ou biológicas que vão dificultar, quer a reinfestação de propágulos de agentes patogénicos, quer a germinação de sementes de infestantes.

Daí, ter-se verificado que após a remoção do plástico, as espécies infestantes que entretanto se instalaram no solo solarizado apresentaram um crescimento lento e débil, o que vem demonstrar que este solo apresenta propriedades que não se encontram no não solarizado (indução à supressividade).

As variações dos resultados encontrados, em muitos estudos de solarização, estão relacionados exactamente com as condições atmosféricas que se fazem sentir durante o período de solarização, em particular os níveis das temperaturas médias do ar, ou se a solarização é praticada ao ar livre ou em estufa. Pinto, 1992 verificou que a solarização provocou reduções, altamente significativas da ordem dos 83%, nas populações de beldroegas em estufa.


4 - Conclusões:
- Dos resultados deste estudo poderemos inferir que a solarização tem um efeito bastante positivo no combate a uma grande diversidade de espécies infestantes.

No que concerne ao efeito da solarização, tem-se verificado em muitos estudos, reduções muito significativas da infestação total. Pinto (1992, 2003) confirmou estes resultados, tanto em estufa como ao ar livre.

Os resultados do presente trabalho, são concordantes com a generalidade dos obtidos, quer em Portugal, quer noutros países por outros autores, vindo a confirmar que a solarização se é um método eficaz no combate às infestantes.

Devido às suas características não poluentes, a solarização pode ser considerada uma técnica a ser divulgada e aplicada em estratégias de Protecção/Produção Integradas, ou Modo de Produção Biológico.



referências bibliográficas
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BRITO e FARO, F. 1985. Carta de solos, carta de aptidão para o regadio, carta de capacidade de uso do solo da Quinta da Estação Agrária de Viseu. INIAER – CNROA – Lisboa.

CAIXINHAS, M. L. & SILVEIRA, H. L. 1992. Efeito das condições impostas pela solarização na capacidade germinativa de sementes de infestantes enterradas a diferentes profundidades. Simpósio Solarização do Solo. Sociedade Portuguesa de Fitiatria e Fitofarmacologia.

FERREIRA, j. c., STRECHT, A., RIBEIRO, J. R., SOEIRO, A., COTRIM, G. 2002. Manual de Agricultura Biológica – Fertilização e protecção das plantas para uma agricultura sustentável. AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, 435 pp.

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PINTO, A. F. M. A. 1995. Potencialidades da solarização do solo. Terra Fértil, 0: 16-22. ISPV – ESAV.

PINTO, A. F. M. A. 2003. Relatório Final do Campo de Demonstração em Protecção Integrada nº 72/99, REG. (CEE) – Medidas Agro-Ambientais. Escola Superior Agrária de Viseu, Instituto Superior Politécnico de Viseu, 37 pp.

SILVEIRA, H. L. & BORGES, M. L. 1984. Soil solarization and weed control. Proc. EWRS 3rd Symp. on Weed Problems in the Mediterranean Area.



SILVEIRA, H. L. & CAIXINHAS, M. L. 1992. Solarização do solo e infestantes. Simpósio Solarização do Solo. Sociedade Portuguesa de Fitiatria e Fitofarmacologia.


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