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A psicologia2 arte Manuela Monteiro q, Milice Ribeiro dos Santos


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alquimistas procuraram, ao longo dos tempos, substâncias que aumentassem o
poder da memória.

Porque desde sempre se compreendeu que a memória humana é limitada na


sua capacidade de armazenamento, e afectada pelos sentimentos, emoções e TEO4M"11,91 experiências, procurou-se construir instrumentos que assegurassem que o material retido pudesse ser evocado na sua integridade. 0 computador é a resposta mais recente a este desejo de preservar a informação. Contudo, não é esta a memória que vamos abordar. É a memória humana “afectada” pelo tempo, pelos sentimentos, emoções, vivências, imaginação, que é objecto do nosso estudo.
Compreenderas melhor o conceito de memória ao estudares o processo mnésico.
0 PROCESSO MNÉSICO
Procura responder às seguintes questões:
1Identifica o autor e o título do quadro que inicia a pagina 92.
2Diz qual é a capital do Japão.
3Identifica o autor da afirmação: Tenso, logo existo.
4, Indica o nome do teu(tua) professor(a) do 1.o ciclo.
5Diz o que jantaste ontem.
0Descreve uma situação que te tenha provocado medo.
7Indica o título do primeiro filme que viste no cinema.
Para responder a este questionário, tiveste que viver as situações, adquirir informações, conhecimentos, armazená-los e recordã-los.
Em todos os actos da memória estão implicadas três fases ou estádios: aquisi~ ção, retenção e recordação.
* Aquisição - para recordarmos, é preciso primeiro aprender (aprender pode
ir de unia simples percepção a actividades mais complexas, como escrever). Sem aprendizagem não há memória.
*Retencão ou arinazenamento - a informação é conservada, retida por perío-
dos mais ou menos longos, para poder ser utilizada quando necessário.
* Recordação ou activação - quando precisamos, procuramos recuperar,
actualizar a informação armazenada, para a utilizar na experiência presente.

Podemos então definir meniOria como sendo um processo cognitivo que compreende a retenção e a recuperação da informação. É um sistema aberto em que a


informação entra (aquisição), é armazenada (retenção), podendo depois ser recu-
perada (recordação). Recorrendo ao modelo informático’, poderíamos apresentar estas três fases como uma sequência:
Armazenamentol /processamento
Voltemos ao questionário inicial: se não respondeste a alguma questão, tenta identificar o motivo: ou não adquiriste informação, ou esta não ficou retida, ou o
problema é de recuperação, de recordação.
E de notar que, no questionário, reportamo-nos apenas à memória de acontectmentos vividos por ti, ou de conhecimentos gerais que aprendeste. Contudo, há uma memória do saber-fazer que se refere ao conhecimento do funcionamento dos objectos: abriste o caderno, aguçaste o lápis, usaste a borracha para apagar uma resposta, etc. 2
É importante referir que a memória é um processo cognitivo que ultrapassa o

20 assegurar que o passado é retido. De facto, foi durante muito tempo remetida


para a conservação do passado. Hoje considera-se que a memória está subjacente a todos os comportamentos, a todas as funções psíquicas. Como veremos, há diferentes tipos de memória que estão na base do presente, determinando os conteúdos que serão codificados, representados e armazenados.
Vamos, em seguida, apresentar três tipos de memória. Contudo, para além desta classificação, existem muitas outras que têm em conta outros critérios. É que a memória não pode ser encarada como uma faculdade una, mas comporta vários subsistemas.

@l --No computador, é através dos dispositivos de entrada (teclado, rato, scanner, sensores que a informação entra no


sistema de triernOria onde é armazenadj. A informação é processada por programas adequados cujos resultados são disponibilizados através dos dispositivos de saída (monitores, impressoras ).

2 - Este tipo de mernoria é designada por Tulving (1985) por memória procedimental, isto é, a memOria do sal)cr-fazer; j


memória do saber, de acontecimentos específicos e gerais, seria a memória declarativa.

IPOS DE MEMORIA 6 [@3-


São os nossos receptores sensoriais que captam as informações do meio ambiente. Estes dados são codificados e retidos por um período de tempo que pode variar entre escassos segundos ou uma vida inteira. Por isso, grande parte dos autores distinguem três tipos (ou subsistemas) de memória’, baseados em três formas de armazenamento da informação:
* memória sensorial;
* memória a curto prazo;
* memória a longo prazo.
MEMóRIA SENSORIAL
É pelos sentidos que as informações entram no sistema da memória. As entradas (inputs) sensoriais são armazenadas durante fracções de segundo: a informação sensorial do estímulo (visual, auditivo, táctil ... ) mantém-se após o seu desaparecimento por um curtíssimo espaço de tempo. Podemos assim referir vários tipos de mclilória sensorial: visual, auditiva, olfactiva, táctil, gustativa... De entre as
memórias sensoriais, as mais estudadas são a visual e a auditiva.
A memória visual é também designada por memória icónica. 0 ícone é o
registo visual que contém a informação.
É graças a este tipo de memória que percepcionamos o movimento quando vemos um filme, porque retemos durante um curto espaço de tempo as imagens, o que nos permite ligar os diferentes fotogramas.
É graças à memória auditiva ou memória ecóica que compreendemos o que ouvimos, dado que retemos por um curto período de tempo a informação auditiva. É esta retenção que nos permite ligar as frases que constituem um discurso.

Designa~se por eco o traço sensorial de um som específico.


Os sistemas da memória sensorial são, como vês, elementos do processo perceptivo, são imagens perceptivas. Os seus materiais ou são perdidos ou, se prestarmos atenção, são processados no armazenamento a curto ou a longo prazo.
--VIu-nos centrar a nossa abordagem sobre a memória humana. Contudo, já tiveste oportunidade de constatar, ao estu-
dar a aprendizagem, que os animais têm memória. No entanto, é uma memória que não fires permite evocar o passado para o representar.

MEMóRIA A CURTO PRAZO


A inernória a ciirto prazo’ designa, como o nome indica, o armazenamento da informação por um período de alguns segundos após o desaparecimento do estímulo’. Corresponde a um segundo armazenamento da memória, sendo mais durável e mais controlada pelo sujeito do que a memória sensorial. É este tipo de memória que utilizamos em situações que reconheces da tua experiência: queres reservar
bilhetes para um concerto e procuras na lista o número do telefone da agência. Reténs o número, repetindo-o mentalmente, o que te permite fazer o telefonema. Se, passado uma hora, um amigo teu o pedir, provavelmente não o recordarás...
A capacidade da memória a curto
prazo é pequena, sendo poucas as infor~ mações que podem ser percebidas cons-
cientemente ao mesmo tempo. Hermann Ebbirighaus (1850-1909) foi o primeiro investigador a levar a cabo estudos experimentais sobre a memória. Nos trabalhos que desenvolveu procurou medir o efeito da aprendizagem sobre a memória, con-
o que seria necessário cretamente o temp para aprender e recordar uma lista de sílabas sem sentido (ZUF, RIF, TAF, etc.). Concluiu que se fixavam sete unidades

11 (podendo variar em mais ou menos


duas). De notar que, neste tipo de memória, funcionam as leis do agrupamento da percepção 3. Assim se explica que sejamos capazes de reter um maior número de itens. Constata-se que se podem reter mais ou menos sete conjuntos ou agrupamentos. É a partir desta constatação que, por exemplo, os números de telefone de valor acrescentado são anunciados desta forma: 641720 380.
Convém esclarecer que estas conclusões estão limitadas pelo tipo de situação artificial e pelos materiais a memorizar. Na vida do dia-a-dia somos capazes de reter mais do que os sete itens referidos por Ebbinghaus, como, por exemplo, conteúdos que são significativos e importantes para nós. A sua relevância leva a que fixemos mais informações com sucesso.
Apesar de a capacidade da memória a curto prazo ser pequena, o caudal de informação que flui no período de uma hora é enorme. É o material da memória
a curto prazo que fornece a informação sobre a qual se desenvolve a aprendizagem, o raciocínio, a imaginação, etc.
Parte dos materiais da memória a curto prazo é transferida para a memória a
longo prazo.
@I @-N mernOria a curto prazo pode ser designada nào sÓ por meniOria de trabalho como também por irremÓria operacio-
nal ou memOria activa.

2 - 0 tempo de aimazenamento depende de múltiplas variãveis: do sujeito, do material a reter. cio tipo de apresentação. etc. @ - Estas ]eis foram eminciadas pelos gestjltistas.

0 esquema que se segue relaciona a memõria sensorial e a curto prazo, sendo graças à atenção* que materiais de primeiro nível passam ao segundo. As relações entre a memória a curto prazo e a memória a longo prazo serão analisadas já a seguir.
INFORMAÇÃO SENSORIAL
0 esquecimento ocorre...
ATENÇÃO 1
<@ RECUPERAÇAO,
[AARMAZENAMEN
--- @ __--- I@9_

RATHUS, S., Psichologie Cénérale, Vigor, 1991, p. 199


MEMÓRIA A LONGO PRAZO
A memória a longo prazo permite conservar dados, informações adquiridas, durante dias, meses, anos e até durante toda a vida. É graças a este tipo de memória que somos capazes de ler, de reconhecer trajectos, de identificar pessoas conhecidas, de recordar episódios da nossa infância. Podemos até afirmar que a sua duração é ilimitada.
A memõria a longo prazo contém dados que têm origem na memória a curto prazo’. Para ser armazenada, a informação sofre um processo de transformação, ou seja, é codificada. Existem vários tipos de códigos, sendo os mais estudados os que estão relacionados com a linguagem e com a imagem.
Durante muito tempo foi valorizada a codificação através das representações verbais; contudo, com o desenvolvimento dos meios audicivisuais, tem-se intensificado a investigação sobre a memorização através das imagens’. 0 facto de este tipo de memorização ser superior a que se processa pela linguagem - “uma imagem vale mais do que mil palavras” - deve-se à circunstância de uma figura ser sujeita a uma dupla codificação (um código de imagem e um código verbal).

0 código semântico armazena o sentido das coisas relacionando os objectos com as palavras. É uma codificação segundo o sentido.


@1« Fnidos descrivolvidos mostraram que podem existir conteúdos intactos ria meniária a longo prazo, que apresentavam
deformaçôcs na iiieiiiõria a cimo prazo, o que pOe em causa a lincaridade do processo usualtriente apresentado. Alguns autores chegam a por em C@1Usa que a meiyiOria a curto prazo seja o primeiro patamar da memOria a longo praio.

2 - 0 código imagético produz LIIII3 Síntese de imagens: ao recordares o ediricio da tua escola do 1.’ ciclo, reconhece^lo ,sol) diferentes ângulos. 0 mesmo se passa (fitando evocas o rosto de uni amigo, a praia onde passas as férias, et(.

0 processo de codificação envolve, em muitos casos, o contexto em que ocorre o acontecimento ou facto. 0 texto que se segue ilustra esta relação:

“A facilidade de recordação está, por outro lado, relacionada com o grau de correspondência entre o contexto de codificação e o contexto de evocação, entre a forma como o conbecimento é armazenado na memória e a forma como é recuperado. Este princípio, designado por especifícidade da codificação, permite compreender fenômenos quotidianos, como, por exemplo, não reconbecer uma


pessoa num contexto diferente daquele em que foi inicialmente codificada na
memória. Outra forma de influência do contexto diz respeito ao grau em que o estadofisíco pode afectar a recordação. Também aqui o esquecimento é menor sempre que a aprendizagem e a evocação têm lugar nas mesmas condiçõesfisi-
cas e psicológicas. Um acontecimento é recordado mais facilmente se a pessoa voltar a sentir o mesmo estado emocional que experimentou durante o episódio da aprendizagem. “
JESLINO, J. C., Psicologia, Difusào Cultural, 1994, p.@ 214
Investigações recentes procuraram estabelecer relações entre memõria, emoção e personalidade

‘A partir dos anos 90 os investigadores alargam igualmente os seus cam-


pos de interesse. Estudam as interacções entre memória ‘ emoçao e personalidade, ínteressam-se pelas perturbações da memória nas doenças mentais e têm em conta os aspectos sociais da construção das recordações. 0 carácter subjectívo e reconstruido da memória colbe a unanimidade dos investigadores.”
CHAPELLE, G., Souvenirs etMémoir(@ Sciences Humaines, Agosto/Setembro, 2000, p. 9

Quadro 8 -As características dos diferentes tipos de memória


Tipo de memória
Função
Duração
Capacidade
Memória sensoria
Criação de informações
Muito breve (0,2 a 2 seg.)
Muito grande e proporciona à capacidade dos receptores
Memória a curto prazo (MCT)
Fixação
20 a 30 segundos
De 7 + 2 elementos
Memória a @ongo prazo (MILT)
Ficheiro
Ilimitada
1 linn tada
GODEFRO11), J., Les Fondements de Ia Psychologie, Études Vivantes, 1993, p. 483
(1) Y entro nos domínios e nas vastas câmaras da memória, onde estão guardados os
tesouros de imagens sem conta...
Uma vez no armazém, peço que me tragam aquilo quepretendo: algumas coisas aparecem de imediato, outras têm de serprocuradas durante mais tempo e é como se tíves-
sem de ser desenterradas de algum receptáculo oculto. “
SANTO AGOSTINHO
1.1. Este texto é um extracto do livro Confissões (séc. IV). Tenta relacionar as concepções do
autor com os conceitos de memória que aprendeste.
(2) “Se a aprendizagem é uma mudança de comportamento, cabe à memória a retenção dessa mudança (ela é o suporte de todos osprocessos de aprendizagem). “
WOODWORTH
2.1. Comenta o texto relacionando aprendizagem e memória.
2.2. 0 teu relógio parou. Perguntas a um teu colega as horas e acertas o relógio.
Esta actividade que tipo de memória requer? justifica a resposta.
2.3. Consulta nas primeiras páginas de uma lista telefónica os números de telefone dos
bombeiros, polícia, hospitais, etc. Explica qual a razão do agrupamento dos algarismos.
“0 termo memória permite reagrupar um conjunto de actividades que integram tanto processos biofisiológicos como psicológicos, os quais não se podem produzir actualmente senão porque certos acontecimentos anteriores, próximos ou longínquos no
tempo, modificaram de modo persistente o estado do organismo.”
FRAISSE e PIAGET
3. 1. Define memória a partir do texto.
3.2. Enumera as três fases que envolvem o processo mnésico.
3.3. Distingue os três tipos de memória que estudaste.

EMORIA E ESQUECIMENTO


“Uma boa memória é útil, mas também o é a capacidade de esquecer, “
MYERS
Não podemos falar de memõria sem falar de esquecimento. Na conversaçào corrente, o esquecimento aparece como um defeito, como o inverso da memória. Contudo, podemos dizer, tal como William james: “Se recordássemos tudo, estaKamos tão mal como se não recordássemos nada. “ TSXTOEEMREZE@ 0 cs(lilecinictito não pode ser encarado como uma lacuna da memória, cOmo
uma doença. Ele é condição da própria memória: é porque esquecemos que con-
tinuamos a reter. 0 esquecimento tem uma função selectiva dado que, numa
determinada situação, afasta materiais que não são úteis ou necessários. Aliás, ocorre nos diferentes níveis da memória, como viste no esquema da pagina 95.
0 esquecimento pode atingir a fase de concepção, armazenamento ou de recuperação.

FACTORES QUE EXPLICAM 0 ESQUECIMENTO


Desde sempre os seres humanos procuraram explicar o esquecimento, isto é, a
incapacidade de reter, recordar ou reconhecer Lima informação. De notar que lesões ou doenças cerebrais podem provocar perda de informação que vai desde o esquecimento à amnésia*. Várias teorias foram, ao longo do tempo, sugerindo explicações para o processo de perda do material memorizado. As diferentes propostas de explicação apresentam diferentes factores para explicar o esquecimento.
Hoje constata-se que o esquecimento não é produto de apenas um factor mas da interacção de vários factores:
desaparecimento e alteração do traço mnésico; interferências de aprendizagens; motivação inconsciente.
0 DESAPARECIMENTO E ALTERAÇÃO DO TRAÇO MNÉSICO
Y .. ) com o tempo, um princípio de entropía* corrói a recordação, que fica como que roída pela traça, lacunar, se desfía e, in extremis, quando a queremos reconstítuírpassados tantos anos, só nos restam bocados incertos... “
IMIME=~ -
Ilina das hipóteses mais partilhadas para explicar o esquecimento reside no
desapareciniclito do traço fisiolõgico registado no cérebro - crigraina - devido a passagern do tempo. 0 esquecimento teria origem na perda de retenção provo~ cada pela não iitili;@,acão dos inateriais armazenados. 0 traço enfraqueceria devido a falta de repetição de exercício.
Apesar de ser a explicação mais antiga, não se pode reduzir o esquecimento a
este factor: as aprendizagens motoras (andar de bicicleta, nadar, por exemplo) resistem à falta de exercício, sendo dificilmente esquecidas. Por outro lado, recor-
damos com muita nitidez acontecimentos que ocorrerairi num período da nossa
vida, esquecendo outros que aconteceram na mesma época.
Para muitos, o esqueciniento teria origem fundamentalmente na defoririação cios conteúdos retidos. Uina das fontes de distorção seria produto de atribuiçà0 aos materiais arinazenados na inerriOria de designações desadequadas. Daí não ser possível recordar corri exactickto materiais aos quais foram atribuídos significados inexactos.
Recentes investigações apontam para o facto de grande parte das deformações ocorrerem na forma como percepcionamos os acontecimentos e mão numa mudança no traço da memõria.
As alterações Ou desaparecinicrito do traço i-nnésico podem ter a ver com as capacidades internas, com os significados que atribuímos, com as fantasias
que temos.

INTERFERÊNCIAS DE APRENDIZAGENS


Um dos factores que explicam o esquecimento resulta da interferência de aprendizagens na retenção de outras aprendizagens.
Foram desenvolvidas pesquisas experimentais procurando identificar o efeito
que a aprendizagem de uma unidade ou item pode ter na recordação de um item semelhante.
Geralmente, distinguem-se duas formas de interferência: inibição proactiva e
inibição retroactiva:
>- inibição proacti\@a - corresponde à influência negativa que a aprendizagem
anterior tem sobre a recordação de uma nova informação. Se aprendemos dois tipos de tarefa - A e depois B -, a natureza de A pode influenciar a
recordação de B. Se, por exemplo, uma pessoa perder o seu cartão multi-
banco e depois receber um novo, o código do cartão perdido pode influenciar, interferir, na recordação do novo código;
inibição retroactiva - corresponde ao efeito negativo que a informação nova
tem sobre a anterior: a tarefa B inibe a recordação da tarefa A. Neste caso, o
processo de interferência aumenta com o exercício. Retomemos o exemplo anterior: depois de uma pessoa usar o cartão várias vezes com o novo
código, tem dificuldade em recordar o código anterior.
Muitos autores consideram que o esquecimento seria provocado mais por influência das interferências do que do enfraquecimento do traço mnésico. Daí

relacionarem o melhor desempenho quando as aprendizagens são seguidas de intervalos em que o sujeito dorme.


0 que foi dito não nos pode levar a concluir que o efeito das interferências é só negativo. Como já vimos, os conhecimentos anteriores podem facilitar novas
aprendizagens: saber andar de bicicleta facilita aprender a andar de mota; o
conhecimento do latim facilita a aprendizagem do francês, etc.
0 ESQUECIMENTO E MOTIVAÇÃO INCONSCIENTE
Freud’ apresenta uma explicação para o esquecimento: as razões baseadas na noção de recalcartiento. 0 sujeito esqueceria acontecimentos traumatizantes que teriam ocorrido. As recordações dolorosas eram inibidas, mantendo-se recalcadas no inconsciente. 0 esquecimento teria, portanto, um carácter selectivo: acontecimentos, representações geradoras de angústia e ansiedade, não aceites pelo sujeito, seriam reprimidos, mantendo~se na zona inconsciente do psiquismo. Submersos, manteriam o seu potencial dinâmico influenciando o comportamento do indivíduo. A resistência, que se opõe a que estas lembranças se tornem cons-
cientes, impede a sua evocação.
Será no contexto do tratamento psicanalítico que o analista procurara levar o Y~E= indivíduo a tornar consciente o material esquecido.
Freud vai chamar a atenção para um aspecto particular do esquecimento: a aninésia infantil. As primeiras recordações da infância não seriam acessíveis ao sujeito dado que eram constituídas por conteúdos relacionados com uma sexualidade infantil. Freud refere que muitas das recordações da infância são produto de uma reconstrução dado serem formadas pelos relatos dos pais e
familiares. As recordações “verdadeiras” poderiam o ser recuperadas, revividas, durante o tratamento analítico, com a ajuda do psicanalista. Freud vai também analisar os pequenos esquecimentos que atravessam a nossa vida quotidiana: lapsos, esquecimentos de palavras, de nomes, de datas, objectos estariam relacionados com motivos inconscientes. São os actos falhados aos quais Freud, como já estudaste, atribui significado.’
Recordar é reconstruir, “aprender no coração ou literalmente dar de novo ao
coração”. (Fátima S. Cabra], Pensar a Fmoção, Fim de Século, 1998, p. 193).
0 esquecimento não pode ser explicado apenas por um factor, antes resulta da convergência de diferentes factores.
F1 - Aconselhamos-te a que revejas as concepções de Frend nas pp. 28 e ss. da 1.’ parte.

2 - Relê p. 171 da 1.” parte.

`Como todas as coisas do Univer,@o, a memória sofre a degirradação e a desintegração, o
que se chama esquecimento. ( ... ) A diminuição da memória é ininterrupta. A própria memOria tende a tornar-se lacunar, incorrecta, enganadora. Além disso, como vimos, sofre profundamente o eLeito das forcas de recalcamento, que Ê,@@u1,sam a recordaLa
incómo , e dasforças de transfiguração e mitologização, que legenclarizam a recorda-
ção.
EDGAR MORIN
1.1. Explica, a partir do que estudaste, de que forma a memória se pode tornar “lacunar,
incorrecto, enganadora”.
1.2. Identifica a concepção a que se reporta a frase sublinhada.
1.3. Apresenta outros factores que expliquem o esquecimento.
Propomos-te que vejas o filme “Cinema Paraíso”, de Giuseppe Tornatore. Reflecte e discute com os teus colegas as diferentes memórias presentes no filme: a memória
da infância e da juventude do protagonista, a memória de uma época e também a memória
do cinema.
03 Os objectos representados foram provavelmente muito usados pelos teus pais elou avós.
Propomos-te que lhos mostres e que lhes peças que te relatem o modo como os usavam
bem como experiências e vivências com eles associadas.

MEMóRIA, MEMóRIAS


“A memória é assim como um álbum que nos restitui mais ou menos intactos osfragmentos da experiência. “
FRANÇOIS PIRE
Acabaste de estudar diferentes interpretações sobre o esquecimento. Contudo, convém assinalar
kk que a informação retida, e que tens possibilidade de evocar, não é
reproduzida fielmente quando é recordada. As recordações são
reconstruídas, isto é, as informacoes sofrem modificações, produto de múltiplas variações: o tempo, as experiências e vivências do sujeito, as suas atitudes, crenças e valores, motivação, factores emocionais e afectivos... todos os dados retidos são reelaborados, alterados, deformados.
0 texto que transcrevemos é uma contribuição para compreenderes melhor o rExmM"24 processo de reconstrução do passado individual e colectivo e que torna evidente que a memória é um processo dinâmico e activo.
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