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A psicologia2 arte Manuela Monteiro q, Milice Ribeiro dos Santos


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sentimento de desenraizamento e de ruptura que estes experienciavam entre a história do seu povo e a cultura americana.
Erikson perspectivou oito idades ao longo da vida, atravessadas por crises psicossociais que, embora se
sucedam, estão profundamente relacionadas entre si.

0 importante das suas teorias é a “continuidade da


experiência” do ego. Erikson vai fazer remontar à infância a construção do “sentimento de identidade”, mas é na adolescência que a identidade se conso-
lida através de uma crise normativa.
Interessa-se pelas psicobiografias, tendo estudado

902-1994) personagens como Hitler, Lutero e Gancihi. Nas


biografias, pode aprender a problemática psicossocial que o interessa - a dinâmica entre a história pessoal e as
situações dos meios de vida e de ocorrências do acaso.
0 seu primeiro livro, Infância e Sociedade, foi publicado em 1950.
Identidade, juventude e Crise é outra obra muito importante. As concepções de Erikson revolucionaram a psicologia do desenvolvimento, continuando, nos dias de hoje, a motivar investigações e reflexões várias.
J. E. Marcia é um eminente continuador do conceito eriksoniano
de identidade.

ERIKSON E 0 DESENVOLVIMENTO


Conforme podes constatar pela leitura da biografia de Erikson, este autor critica as concepções psicanalíticas por considerar que Frend não teve em conta, na sua concepção de desenvolvimento, as interacções entre o indivíduo e o meio. Por outro lado, enquanto Freud defendia que a energia que orientava o desenvolvimento era de natureza libidinal, Erikson enfatiza o processo de construção da identidade e a dimensão psicossocial do desenvolvimento. Além disso, considerava que Freud tinha uma tendência para patologizar o comportamento.
Toi capaz de quebrar com muitas tradições límítadoras da sua época em particular ao mudar o conceito de desenvolvimento de uma ênfase exclusivamente patológica para uma perspectiva que realçava os aspectos positivos e produtivos do desenvolvimento. “
SPRINTHALL N. e SPRINTHALL, R., op. cit.. p. 147
Erikson propõe oito estádios psicossociais: perspectiva oito idades no desenvolvimento do ciclo de vida, desde o nascimento até à morte. No processo de desenvolvimento tem em conta aspectos biolõgícos, individuais e sociais.
Para este autor cada estádio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma negativa. Estas duas vertentes são dialecticamente necessárias; contudo é essencial que se sobreponha a vertente positiva.
A crise psicossocial não tem, na teoria de Erikson, uma conotação negativa sendo inerente ao desenvolvimento. A forma como cada pessoa resolve cada crise nuclear, ao longo dos diferentes estádios, irá influenciar a capacidade para resolver, na vida, os conflitos: “ajuda a determinar e a promoverfiorças para ser bem sucedido no estádio seguínte” (SPRINTHALL, N. e SPRINTHAU, R., op. cil, p. 162).
0 termo crise não é perspectivado com carácter dramático, mas para desígnar um ponto decisivo e necessário, um momento crucíal, quando o desenvolvimento tem de optarpor uma ou outra direcção, escolber este ou aquele rumo, mobilizando recursos de crescimento, recuperação e nova diferenciação” (EMSON,
E. II., ldentidade,
juventude c, Crise, Zahar, 197()(1», p. 11)
0 indivíduo desenvolve-se através de experiências ligadas às modalidades de resolução de crises.
Vamos agora analisar sucintamente as oito idades ou estádios de desenvolvimento psicossocial:
* 1. “idade - Confiança versus Desconfiança (0 - 18 meses)
* 2.” idade - Autonomia versus Dúvida e Vergonha (18 meses - 3 anos)
* 3.” idade - Iniciativa versus Culpa (3 - 6 anos)
4.@’ idade - Indústria/Mestria versus Inferioridade (6 - 12 anos)
5.” idade - Identidade versus Difusão/Confusão (12 - 18/20 anos) ó6 aidade - Intimidade versus Isolamento (18/20 - 30 e tal anos)
* 7.@’ idade - Generatividade versus Estagnação (30 e tal - 60 e tal anos)
* 8.” idade - Integridade versus Desespero (depois dos 65 anos).

CONFIANÇA VERSUS DESCONFIANÇA- 18 niese@ IDADE


Nesta idade, a criança vai aprender o que é ter ou não confianca. Esta confiança está muito relacionada com a interacção do bebé com a mãe.
Embora esta idade corresponda à fase oral freudiana’, ultrapassa-a. A criança, neste período, aprende a ter ou não confiança, partindo da relação com a mãe. Se
a criança não se sentir segura e confiante - se a mãe não responder às suas necessidades - pode desenvolver medos, receios, sentimentos de desconfiança que perturbarão as suas relações futuras com as pessoas e o modo como viven-
ciará os contextos da vida. Se a relação é de segurança - a mãe cuida dela - a
criança desenvolverá um sentimento de confiança. Este sentimento de confiança vai reflectir-se na sua vida futura, permitindo-lhe adaptar-se às situações, às pessoas, às tarefas socialmente requeridas.
‘As mães criam nos.filhos um sentimento de coiffiança através daquele tipo de tratamento que na sua qualidade combina o cuidado sensível das necessidades individuais da criança e um firme sentimento de fidedignidade pessoal dentro do arcaboiço do estilo de vida da sua cultura. Isso cria na ci@ança a basepara um sen-
timento de, identidade que mais tarde combinará um sentimento de ser @aceitáve1’, de ser ela mesma, e de se converter no que os demais coiffiam que cbegarã a ser. “
ERIKSON, E. H., Inlância e Sociulade, Zahar, 1970(a), p. 229
2 a. AUTONOMIA VERSUS DúVIDA E VERGONHA - meses - 3 anos-, IDADE
Este estádio psicossocial é dominado pela contradição entre a autonomia, o exercício de Lima vontade própria e o controlo sobre o meio e o seu versus negativo constituído pela dúvida e vergoiffia’ de quem se “expõe” demasiado quando ainda é tão dependente. A progressiva independência em relação a mãe permite-lhe explorar o meio que a cerca. A criança precisa de poder experimentar e de se
sentir protegida no processo de autonomização. Afirmar uma vontade é um
importante passo na construção da individualidade.
A problemática desta idade corresponde à fase anal freudiana.
‘Depois de ter conquistado confiança naqueles que as tratam, as crianças começam a descobrir que têm vontade própria. Afirmam o seu sentido de autonomia ou independêncía. Realizam a sua vontade. Se as crianças são demasiado reprimídas ou castigadas severamente é provável que desenvolvam um
sentimento de dúvida e vergonba. “
SANTROK.J.'@X’., Adolescence, Brown and Bendiniark, 1997, 1). /18
a vergonba é considerada como o inverso da vontade autónoma pois bá vergonha quando se é visível mas não se está pronto para ser visto.”
LEI1ALLE, H., PsYcbologio des Adolescenls, PUE 1985, p. 25

3- INICIATIVA VERSUS CULPA IDADE


Retoma-se a problemática da fase anterior de forma mais amadurecida, mais determinada e directiva’. A criança, que já se exprime com à~vontade, física e verbalmente, realiza actividades diversificadas afirmando a sua identidade. A descoberta de si própria passa pela sua identificação face à masculinidade e a feminilidade. Este estádio marcara a possibilidade de tomar iniciativas sem medo de culpabilidades.
“À medida que as crianças em idade pré-escolar enfrentam um mundo social cada vez mais alargado, aumentam os desqfíos e necessitam de desenvolver comportamentos mais sign@ftcativos para responder a esses desafios.
Pede-se às crianças que assumam mais responsabilidades. No entanto podem surgir sentimentos desagradáveis de culpa se as crianças não são responsabilizadas, sentindo-se muito ansiosas.
SANTROK, J. W., op. cit, p. 48
Esta idade relaciona-se com a fase fálica da psicanálise, pois as crianças estão interessadas pelas diferenças sexuais e têm um ego que se relaciona com os outros de forma muito intrusiva.
A culpa é descrita como interiorizada, internalizada*.
4 a 1 NDúSTRIA/M ESTRIA VERSUS INFERIORIDADE (6 - 12 anos, IDADE -
Erik Erikson utiliza a palavra indústria no sentido de produtividade, de mestria, de desenvolvimento de capacidades, competências (intelectuais, sociais, físicas, escolares). A partir de estudos antropolõgicos, conclui que, nesta fase, em várias culturas se fazem importantes aprendizagens sociais (instrução sistemática).
Esta idade inicia-se com a entrada da criança para a escola, o que lhe vai permitir viver um grande número de experiências. A escola também tem por função ensinar as normas sociais vigentes, bem como o modo como se desenrolam os relacionamentos interpessoais, isto é, o “padrão de acção da sua sociedade”.
0 versus negativo é o sentimento de inferioridade e de inadequação que lhe advém de não se sentir confiante nas suas capacidades ou de não se sentir reconhecida nem segura no seu papel dentro do grupo social a que pertence. 0 sentimento de inferioridade pode levar a bloqueios cognitivos e a atitudes regressivas.
Erikson considerava que cabe aos professores uma grande responsabilidade: favorecer o desenvolvimento da “indústria” nas crianças. Segundo este autor, os professores deveriam, “ d( , forma suave, mas firme, obrigar as crianças à aventura de descobrir que se pode aprender a realizar coisas que, cada um sozinbo, nunca teria pensado atingir”. (EMSON, E., Mentity- 1'outh and Oisis. W. \X`. Nor(on. 1968, p, 12-7.)

5 ‘.IDENTIDADE VERSUS DIFUSÃO/CONFUSÃO @’_12 18/20 ano$,) IDADE


É a idade em que, na vertente positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossociaV, isto é, entende a sua singularidade, o seu papel no mundo.
As fases anteriores deixam marcas que vão influenciar a forma como se vivencia esta crise. 0 adolescente vai perceber-se numa perspectiva histórica integrando elementos identitários adquiridos nas idades anteriores.
É neste estádio que os adolescentes, com novas potencialidades cognitivas, exploram e ensaiam vários estatutos e papéis sociais. A sociedade permite ao adolescente este espaço de experimentação (ver moratória psicossocial, p. 199). TEXTOUE” Embora a construção da identidade se realize ao lon o do ciclo de vida, cons-
9 titui uma tarefa específica desta idade (ver p. 56).
0 versus negativo refere os aspectos, sentimentos de confusão/difusão de quem ainda não se encontrou a si próprio, não sabe o que quer e tem dificuldade em fazer opções.
É na parte final da adolescência que se obtém uma “identidade realizada”, uma identidade adquirida.
A grande virtude adquirida nesta idade é a fidelidade: fidelidade aos investimentos, compromissos e ideais.
6 INTIMIDADE VERSUS ISOLAMENTO -íá/20 - 30 e tal an6@@1, IDADE
Os indivíduos encaram a tarefa desenvolvimental de construir relações com os
outros numa comunicação profunda expressa no amor e nas relações de amizade. É a idade de jovem adulto que, com uma identidade assumida, poderá criar relação de intimidade com o(s) outro(s).
“Assim, o adulto,jovem, que emerge da busca epersistêncía numa identidade, anseia e dispõe-se a.fundír a sua identidade com a de outros. Fstá preparado para a intimidade, isto é, a capacidade de se confiar a filíações e associações concretas e de desenvolver a força ética necessária para serfiel a essas ligações, mesmo que elas imponham sacrifícios e compromissos sígn@fícativos. “
ERIKSCIN, E. 11. op. cit, 1976W, pp. 242-243
A vertente negativa é o isolamento de quem não consegue partilhar afectos* com intimidade nas relações privilegiadas.
7-GENERATIVIDADE VERSUS ESTAGNAÇÃO ã@õ-- 60 e tal anÓ@1 IDADE
A gerterativi(_la(le2 é a fase de afirmação pessoal e de desenvolvimento das potencialidades do ego, nomeadamente no mundo do trabalho, da família e de interesse pelos outros e por uma vida social.
A pessoa sente-se madura para transmitir mensagens às gerações seguintes. Ter filhos é, frequentemente, um desejo que se insere nesta relação com o mundo.
A vertente positiva é o sentimento de comprometimento social, de que se tem
coisas interessantes a passar às gerações vindouras. A vertente negativa é a centra~ lização nos seus interesses próprios e superficiais, o empobrecimento das relações interpessoais, a estagnação.

8 -INTEGRIDADE VERSUS DESESPERO


Quando se considera positivo o que se viveu e se compreende a integridade da sua existência ao longo das várias idades, faz-se “ ... a integração cumulativa do e,@io”. “Embora ciente da relatividade dos diversos estilos de vida que deram sign@J7cado ao e@Jórço humano, o possuidor de integridade está preparado para defender a dignidade do seu próprio estilo de vida contra todas as ameaças,físicas e econó-
mícas@’ (FREKS0IN, E H., op, ciL 19-6(a), p, 247).
0 desespero é a vertente negativa que advém quando se renega a vida, mas se
sabe que já não se pode recomeçar uma
nova existência.
“Os indivíduos olham para trás e ava-
liam o quefizeram com as suas vidas. Os olhares retrospectivos tanto podem ser
positivos (integiridade) como negativos (desespero).
SANTROK, J. W., op. cit., ri. 48
A grande virtude adquirida nesta idade é a sabedoria de quem se entende num balanço da vida, de quem sabe renunciar.
JV
crise, psicossocial, identidade, oito idades.
Quadro 6 - Etapas do desenvolvimento psicossocial de Erikson
Idade aproximada
Descrição da tarefa
0 - 18 meses
Conflonço vs Desconfiança Se se satisfazem as necess dades, a criança consegue um sentimento de confiança básica.
18 meses - 3 anos
Autonomia vs Dúvida e Vergonhc A criança esforça-se por adqu rir independência e autoconflança.
3 - 6 anos
@nicictivG vs CuipG
A criança aprende a desenvo ver tarefas e lida com o autocontrolo.
6- 12 anos
Indústria vs Inferiondoce A criança aprende a sentir-se eficaz ou inapta,
12 - 18120 anos
identidade vs Confusão

0 adolescente aperfe çoa o sentido do eu, experimentando erros, integrando-os depois


para formar uma só identidade,
18/20 - 30 e tal anos
@ntimidcde vs Isolamento
0 jovem procura estabelecer relações de nitimidade com os outros e adquir r a capaci-
dade necessár a para o amor intimo.
30 e tal - 60 e tal anos
Generctividccie vs Estogncção A pessoa de meia-idade procura o sentido da sua contribuição para o mundo (por exemplo, através da familia e do trabalho).
Depõis dos 65 anos
1
Integridade vs Desespero Quando reflecte acerca da sua vida, o idoso pode experimentar um sentimento de satis-
fação ou de fracasso.
MYERS D. G., Psicologia, 1994, Medica Pan-América. p. 109 (adapt.)

(1) ‘As concepções de Erikson revolucionaram a psicologia do desenvolvimento.


1.1. justifica a afirmação a partir do que acabaste de estudar.
1.2. Esclarece o conceito de crise psicossocial.
1.3. Descreve a 5.’ idade do ciclo de vida de Erik Erikson.
(2) Para Erikson, o desenvolvimento resulta da resolução de conflitos que em cada período do desenvolvimento o sujeito tem de enfrentar e superar.
2. 1. Escreve um texto em que desenvolvas sinteticamente a concepção de Erikson. Utiliza na tua
exposição os seguintes conceitos: crise psicossocial, idades do ciclo de vida e identidade.
3 Identifica as idades do cicio de vida em que se podem enquadrar os extractos que se seguem:
3. 1. Os indivíduos enfrentam a necessidade de descobrir quem são, o que são e o que vão fazer na
vida. Uma dimensão importante é a exploração de soluções alternativos aos estatutos.
3.2. Os indivíduos encaram a tarefa desenvolvimental de constituir relações íntimas com os outros.
3.3. Os indivíduos confiam que as suas necessidades sejam satisfeitas por Gqueles que os rodeiam.
. Se tal não acontecer surge a desconfiança.
DESENVOLVIMENTO E SOCIALIZAÇÃO
NASCIMENTO PSICOLóGICO DO SER HUMANO
Ao nascer, o bebé é a cria mais desprotegida do meio animal. Sem os cuidados da mãe, ou de quem a substitua, não sobreviveria. Henri Wallon (1879-1962) considera que o ser humano é “um ser total e primitivamente orientado para a socie-
dade”, é um ser biologicamente social. Da sua
nata prematuridade ao nascer decorre a absoluta necessidade do “outro” e de um meio propicio para sobreviver.
E precisamente a prematuridade da cria humana que explica, no essencial, a importância da figura materna nos primeiros anos de vida, Contudo, não se podem encarar os cuidados maternais apenas no seu aspecto meramente fúncional. Assim, alimentar, agasalhar, dar banho, velar pelo sono ultrapassam a satisfação das necessidades básicas. 0 modo como a mãe desempenha o seu papel vai influenciar o desenvolvimento psicológico da criança. Estudos etolõgicos vieram provar que outras necessidades, para além das que acabámos de referir, vão ser satisfeitas pela mãe (ver p. 43).

RELAÇÃO MÃE/BEBÉ


As características da relação da díade* mãe/filho, no primeiro ano de vida, vão ter grande importância no desenvolvimento futuro da criança: personalidade, auto-estinia*, confiança em si próprio, relacionamento interpessoal, capacidade de adaptação a situações novas. Concretamente, a actividade clínica tem fornecido exemplos significativos de como a qualidade da relação màe/filho influencia as
futuras relações interpessoais’.
Contudo, a relação começa bem antes do nascimento, na fantasia dos pais. Ser mãe e ser pai é marcado por uma relação simbólica, por um jogo de fantasia: será menino ou menina? como vai ser? com quem se parecerá? como será a nossa relação?
Muitas mães testemunham como falam com o bebé que têm na barriga: como lhe apresentam a família e a casa, como lhe falam dos aborrecimentos do dia de trabalho, nas expectativas nele depositadas, COMO se sentem na gravidez, como vivem os tempos em que o sentem crescer dentro F delas...
Podemos quase dizer que o bebé, antes de nascer, se relaciona com a mãe e com as pessoas significativas do seu meio. Ele influencia e é influenciado pelo mundo envolvente.
A forma como decorre o próprio nascimento tem sido considerada como
Muito importante. Não só o próprio acto de nascer, mas também o seu acolhimento - externo e interno: é a forma terna como lhe é dado o nome, como se
descobre com quem se parece, corno se arranjou espaço para si na casa, que faz inscrever o bebé no casal e na história das anteriores famílias.
A relação da mãe e das outras pessoas com os bebés é, normalmente, dife~ rente das relações que se desenvolvem com outras crianças mais velhas: no tom
de voz, nos olhares, nos gestos, no que é dito e na forma como é dito.
Tem s do estudada a
atracção que o bebé exerce sobre as pessoas. Esta atracção parece dever se a
caracter@stcas como:
testa ata, o hos grandes, narz pequeno, bochechas e uma
gordura em todo o
corpo que lhe dá um aspecto rechonchudo,
Vejamos como Daniel Stern comenta as reacções maternas:
‘As ‘caras’ que ela,faz para o bebé, a maneira como utiliza a Jàla, não só naquilo que diz, mas nos sons que emite, os movimentos da cabeça e do corpo, as coisas que,1àz com as mãos e dedos, a posição que toma em relação ao bebé, e o tempo e ritmo das suas reacções, tudo isto se torna díferente, “
STERN, D., Bebé-AIã@@ Pffineira Relaçúo Hinnana, Moraes, 1980, p. 16
Este autor (op, cil., p. 23), citando o estudo de Ferguson sobre o que as maes de vários continentes dizem aos seus bebés, em seis línguas diferentes, descobriu

que todas as mães falavam a versão de 1ingUagem de bebé”. Em cada caso havia uma linguagem muito simplificada, alocuções curtas e muitos sons despropositados. Algumas transformações de sons tinham características comuns em todas as línguas. Por exemplo, em todo o mundo, as Mães têm 0 equivalente, na sua língua, à transformação da frase “olha o carro” em ---olha opopó, opopó00”.


CAPACIDADES PRECOCES DO BEBÉ
Até ao desenvolvimento das recentes investigações, dominava unia representação do bebé como uni ser pas~ sivo e inerte. A linha destes estudos desenvolve uma perspectiva do recém-nascido como um agente activo no seu desenvolvimento, dotado de energia e com capacidade de estimular a interacção com a mãe, 1)c facto, o
bebé nasce com capacidades, até agora descuradas. que lhe permitem ser activo no relacionamento humano. 0 recém-nascido possui uma actividade reflexa e instintiva
e um equipamento sensorial e motor que lhe possibilita uma adaptação ao mundo envolvente. 0 seu reportório é muito variado: reage à dor, ao calor, ao frio, aos sabores salgados, ácidos e açucarados, distingUe a claridade da escuridão, pode discriminar sons e emitir vocalizacoes variadas. Está provado que o bebé distingue a voz
da mãe da das outras pessoas, reconhece o seu odor e que, ao fim do primeiro mês, reage ao seu próprio nome, quando pronunciado por ela.
Stern chama a atenção, no texto que a seguir transcrevemos, para a importância das competências do bebé na procura da estimulação diária e ainda para a importância que a estimulação tem no processo global do desenvolvimento do bebé.
‘Durante as últimas décadas, têm-se acumulado, de modos muito d@/èrentes, provas de que o bebé procura estímulos desde o nascimento e até, se esf0r,@a por conseguí-los. De j@cto, a procura de estímulos atingiu agora o estatuto de instinto, ou tendência motivacional, não muito dij@,rente do dafiome, uma analogi.a que não é muito exagerada. Ml como os alimentos são necessários para o
corpo crescer, o estímulo é necessário parafiornecer ao cérebro as ‘matérias-primas @ essenciais para a maturação dos processos motores, perceptivos, cogn itivos e sensoriais. 0 bebé está equipado com as tendências para procurar e receber este alimento cerebral essencial’.
STE @ N, D., op, cit- 1). -1 0
0 sistema de comunicação afectiva que se estabelece entre a mãe e o bebé tem grande influência no seu desenvolvimento futuro enquanto pessoa: ao nível da aprendizagem, das inter-relações pessoais, na autoconfiança, etc.

Contudo, não se pode encarar esta questão numa perspectiva determinista, fata~ lista: indivíduos que viveram uma relação pouco compensadora com a mãe conse-


guiram superar essa situação, por exemplo, através de pessoas de substituição,
Estudos etológicos
Na década de 50, o etõlogo Harry Flarlow, con-
temporânco de BowIby, desenvolveu experiencias com crias de macacos Rbesus. Colocou na mesma jaula duas mães-substitutas: uma era construída em arame, a outra em tecido felpudo. Esta expertencia decorreu em várias jaulas: em metade de Ias, o
modelo de arame fornecia alimento à cria; na outra
metade, esta função era assegurada pela mãe de tecido felpudo. A variável analisada foi o tempo que as crias passavam junto das mães artificiais.
As observações levaram o investigador a concluir que as crias preferiam a mãe de tecido, independentemente de qual lhes fornecia alimento, recorrendo a estas em caso de perigo.
Estas experiências levaram Harlow a afirmar que a necessidade e a procura de contacto corporal e de proximidade física são mais importantes que a necessidade de alimentação. Esta necessidade de agarrar, de estar junto da mãe, vai ser designada como contacto do conforto. Este mecanismo, também estudado nos bebés humanos, permite concluir que o contacto físico com a mãe é da maior importância, sendo uma necessidade primaria que não depende da alimentação.
Harlow fala da necessidade de amor e de emoção que observou nos primatas. Evidencia a interacção existente entre mãe e filh o - o filho abraça a niãe, que cada vez mais sente a necessidade de expressar este terno agarrar - que esta na
base da vinculação.
Significativamente, o título do livro onde Harry Harlow desenvolve a teoria da vincLilaçào é A Xatureza do Ainor.
Carência afectiva materna
Rene Spitz estudou os efeitos patolõgicos da carência afectiva materna nos
casos de separação prolongada. As repercussões acarretam perturbações fisicas, afectivas e mentais durante esse periÍodo e na vida futura’, como verás no capítulo sobre a personalidade.
Os estudos etolõgicos de Harlow provam como a falta da relação precoce entre as macacas Rbesus e suas crias perturbam o desenvolvimento destas. As macacas criadas em privação de contacto físico e em situação de isolamento evitam, quando adultas, relações de acasalamento. Se forem fecundadas artificialmente, quando as crias nascem, rej .citam-nas, frequentemente, com agressividade.
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